Por que grandes artistas estão fazendo turnês em menos cidades? Entenda

Redução de custos para os artistas, maior impacto econômico para as cidades e despesas extras para o público explicam o novo modelo de turnês internacionais

Se antes uma turnê mundial significava dezenas de cidades espalhadas por um país ou continente, o cenário vem mudando rapidamente. Harry Styles, Beyoncé e Ariana Grande são alguns dos artistas que passaram a apostar em um modelo de turnês concentradas, realizando várias apresentações em poucas cidades.

A estratégia reduz deslocamentos, simplifica a logística e transforma cada parada em um verdadeiro evento turístico. Enquanto isso, os fãs são cada vez mais obrigados a viajar para assistir aos shows.

O exemplo mais recente é o de Harry Styles, que escolheu São Paulo como única cidade brasileira de sua nova turnê, realizando quatro apresentações no MorumBIS. A estratégia faz parte de um roteiro que privilegia longas temporadas em poucos destinos, como Londres, Nova York e Sydney.

Por que as turnês estão mudando?

Nos últimos anos, os custos de uma grande turnê dispararam.

Transporte de equipamentos, montagem de palco, equipe técnica, músicos, hospedagem, segurança e transporte aéreo representam uma parcela cada vez maior do orçamento.

Ao permanecer vários dias na mesma cidade, o artista reduz significativamente esses gastos.

Em vez de desmontar toda a estrutura após um único show e seguir viagem, a equipe utiliza o mesmo palco durante diversas noites consecutivas, diminuindo despesas e desgaste físico.

Além da economia, o modelo permite aproveitar melhor a demanda. Grandes cidades conseguem atrair fãs de estados vizinhos (e até de outros países) concentrando milhares de pessoas em um único destino.

Se para os artistas o modelo significa eficiência, para muitos fãs a realidade ficou mais cara.

Quem mora fora das cidades escolhidas precisa incluir no orçamento despesas com:

  • Passagens aéreas ou rodoviárias;
  • Hospedagem;
  • Alimentação;
  • Transporte urbano.

Em muitos casos, o valor gasto com a viagem acaba superando o preço do próprio ingresso.

Esse comportamento deu origem ao chamado “turismo de shows”, fenômeno em que fãs organizam viagens inteiras em torno de uma apresentação musical.

Se os fãs gastam mais, as cidades também arrecadam mais.

Segundo estudo do Barclays, os 12 shows de Harry Styles em Wembley, em Londres, devem movimentar 1,06 bilhão de libras (cerca de US$ 1,42 bilhão) em gastos com ingressos, hotéis, restaurantes, transporte, comércio e turismo. O impacto médio é de aproximadamente US$ 118 milhões por noite.

O levantamento mostra que cada fã pretende gastar, em média, 981 libras, considerando toda a experiência da viagem.

Esse volume econômico supera estimativas feitas anteriormente para a passagem da The Eras Tour, de Taylor Swift, pelo Reino Unido, mesmo com Harry realizando shows em apenas uma cidade britânica.

Não é só Harry Styles

A estratégia vem sendo adotada por outros grandes nomes da música.

A turnê Cowboy Carter, de Beyoncé, concentrou boa parte das apresentações em poucas cidades norte-americanas e europeias, repetindo diversas noites em cada estádio.

Ariana Grande programou sua nova turnê mundial com apresentações em apenas alguns países, privilegiando residências em grandes centros urbanos em vez de uma extensa lista de cidades.

Especialistas do mercado avaliam que o modelo veio para ficar.

Além de tornar as turnês mais rentáveis, as residências ajudam artistas a reduzir o desgaste físico, diminuir riscos logísticos e aumentar a receita por cidade.

Ao mesmo tempo, governos locais e setores ligados ao turismo passaram a disputar esses grandes eventos, já que hotéis, bares, restaurantes, aplicativos de transporte e o comércio registram forte aumento no faturamento durante as semanas de shows.

Na prática, as grandes turnês deixaram de ser apenas espetáculos musicais e passaram a funcionar como motores econômicos capazes de movimentar bilhões, transformando algumas cidades em verdadeiros polos globais do entretenimento.

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