A estreia de Loulu Gilberto no mercado fonográfico chega carregada de memória, afeto e herança musical. Filha caçula de João Gilberto, a cantora lança nesta quinta-feira (21) o álbum “Loulu Gilberto”, seu primeiro trabalho de estúdio.
O disco, com 14 músicas distribuídas em 13 faixas, é mais do que uma apresentação artística: funciona como um mergulho nas referências que moldaram sua formação, muitas delas vividas dentro de casa, ao lado do pai, um dos criadores da bossa nova.
O projeto foi construído a partir de lembranças íntimas. Segundo a artista, o repertório reflete canções que ouviu ao longo da infância, interpretadas por João Gilberto no ambiente doméstico.
Essa base emocional se traduz em um repertório que atravessa gêneros e épocas, reunindo:
- Sambas e sambas-canção
- Standards de jazz
- Cantigas e músicas populares brasileiras
Entre os destaques estão:
- “Avarandado”, de Caetano Veloso
- “Duas contas”, de Garoto
- “Qui nem jiló”, de Luiz Gonzaga
- “Tea for Two”, clássico do jazz
Há também espaço para raridades, como “O amor nos encontrou”, parceria pouco conhecida de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, que ganha sua primeira gravação oficial.
A produção musical do álbum foi conduzida por Cezar Mendes e Mario Adnet, dois nomes diretamente ligados ao universo de João Gilberto.
A escolha não é casual. Mendes, amigo pessoal do cantor, teve papel central na formação de Loulu após a morte do pai, ajudando a transformar o vínculo afetivo com a música em projeto artístico.
O disco também traz participações que reforçam essa rede de conexões:
- Tom Veloso
- Daniel Jobim
- Mariana Carvalhosa
A presença desses nomes aproxima o trabalho de diferentes linhagens da música brasileira, mantendo um diálogo direto com a tradição, sem soar como reprodução.
Apesar da forte influência paterna, o álbum não se limita à reverência. Loulu constrói uma interpretação própria, especialmente ao reorganizar o repertório sob um olhar contemporâneo e íntimo.
A própria artista define o disco como um “cultivo da memória”, expressão que sintetiza o espírito do projeto: revisitar o passado sem tentar congelá-lo.
O resultado é um trabalho que transita entre o clássico e o pessoal, equilibrando homenagem e afirmação artística.
Editado pela Sony Music, o álbum chega às plataformas digitais no dia 21 de maio. A expectativa é que a cantora leve o repertório aos palcos no segundo semestre.
Ainda que o palco não seja, segundo ela, o espaço mais confortável, a estreia ao vivo deve marcar o próximo capítulo de uma trajetória que começa sob o peso de um dos maiores legados da música brasileira.


