Nova investigação contesta versão oficial sobre a morte de Kurt Cobain

Peritos privados publicaram artigo científico apontando inconsistências na autópsia de 1994; autoridades mantêm conclusão de suicídio

32 anos após a morte de Kurt Cobain, em 5 de abril de 1994, uma nova investigação forense independente reacendeu o debate sobre as circunstâncias do caso.

Um artigo publicado no International Journal of Forensic Science, assinado por uma equipe liderada pelo especialista forense Brian Burnett e pela pesquisadora Michelle Wilkins, questiona oficialmente a conclusão de suicídio registrada à época.

O vocalista do Kurt Cobain, líder do Nirvana, foi encontrado morto aos 27 anos em um cômodo acima da garagem de sua casa, em Seattle, com ferimento causado por espingarda Remington Modelo 11 calibre 20. O Gabinete do Médico Legista do Condado de King concluiu, em 1994, que se tratava de suicídio.

Agora, os peritos privados argumentam que evidências médicas e circunstanciais indicariam overdose forçada seguida de disparo, com a cena organizada para simular suicídio.

Segundo os autores, a revisão de laudos de autópsia, exames toxicológicos e fotografias da cena identificou 10 elementos considerados contraditórios à tese oficial.

Entre os principais pontos citados:

  • Nível de heroína no organismo descrito como 10 vezes superior ao que um usuário pesado normalmente consumiria

  • Indícios de necrose cerebral e hepática, que os pesquisadores associam a overdose e hipóxia prolongada

  • Presença de líquido nos pulmões e hemorragias oculares, apontadas como compatíveis com intoxicação por opioides

  • Ausência de sangue nas mãos, algo considerado incomum em disparos a curta distância

  • Organização detalhada do kit de heroína, com seringas tampadas e objetos alinhados

Os autores também questionam a posição do corpo, da arma e padrões de sangue na roupa, sugerindo possível manipulação post-mortem.

Além disso, argumentam que o nível de intoxicação descrito na autópsia tornaria logisticamente improvável que Cobain conseguisse manusear a espingarda.

A carta de despedida encontrada na cena também é mencionada. O estudo aponta diferenças na escrita nas linhas finais, sugerindo possível alteração posterior, hipótese que já circulava em teorias anteriores ao longo das décadas.

Apesar da publicação revisada por pares, as autoridades do Condado de King reiteraram que não há, até o momento, evidência nova suficiente para reabrir o caso. Em nota, o órgão afirmou que a autópsia de 1994 seguiu todos os protocolos e que a causa oficial permanece suicídio.

A Polícia de Seattle também declarou que considera o caso encerrado e não há planos de reavaliação.

A morte de Cobain gerou teorias alternativas desde os anos 1990. O detetive particular Tom Grant, contratado dias antes do falecimento para localizar o músico, tornou-se um dos principais críticos da versão oficial.

Documentários como Soaked in Bleach (2015) e Kurt & Courtney (1998) exploraram inconsistências percebidas no caso.

A diferença, segundo os autores do novo estudo, é que agora os questionamentos foram formalizados em publicação científica com revisão por pares, o que, na visão da equipe, acrescentaria legitimidade técnica ao debate.

Até o momento, não houve engajamento público das autoridades com os pontos técnicos específicos apresentados no artigo.

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