Morreu nesta quarta-feira, 4, aos 72 anos, o ator e dublador Ricardo Schnetzer, um dos nomes mais reconhecidos da dublagem brasileira.
O artista havia sido diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que compromete progressivamente o sistema nervoso e a capacidade motora.
Com uma carreira extensa e marcante, Schnetzer ficou conhecido por emprestar sua voz a personagens icônicos do cinema, da televisão e da animação, tornando-se referência para gerações de espectadores no Brasil.
No cinema, Ricardo Schnetzer foi responsável pela dublagem de personagens vividos por alguns dos maiores astros de Hollywood. Entre os trabalhos mais lembrados estão:
Tony Montana, interpretado por Al Pacino, em Scarface
Maverick, personagem de Tom Cruise, em Top Gun: Ases Indomáveis
Edward Lewis, vivido por Richard Gere, em Uma Linda Mulher
Na televisão, também marcou presença ao dublar Carlos Daniel, protagonista da novela mexicana A Usurpadora, interpretado por Fernando Colunga.
Entre os fãs de animação, Schnetzer é lembrado como a voz brasileira do herói Capitão Planeta, personagem-título da série animada dos anos 1990. O dublador também esteve presente em produções que se tornaram clássicos da cultura pop:
Hank, o arqueiro de Caverna do Dragão
Slade, vilão de Jovens Titãs
Albafica de Peixes, em Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas
Diagnosticado com ELA, Ricardo Schnetzer enfrentava um quadro progressivo e irreversível. Em janeiro, amigos e fãs organizaram uma vaquinha online para ajudar nos custos do tratamento, com meta de R$ 200 mil. O valor arrecadado chegou a cerca de R$ 118 mil.
A morte do dublador gerou grande comoção entre colegas de profissão. Nas redes sociais, artistas destacaram sua ética, generosidade e impacto formativo na dublagem nacional.
Entre as homenagens, o dublador Wirley Contaifer escreveu: “Obrigado por ter existido e por continuar existindo. Descanse na luz e na paz. Sua dor cessou”.
Já Victor Vaz ressaltou o papel de Schnetzer como mentor: “O senhor me ensinou o valor da palavra ética e nunca teve medo de defender o que pensava”.
A dubladora Sarah Mali também se despediu: “Obrigada por existir, por ser carinhoso e carismático. Peço um minuto de aplausos”.
Com sua morte, a dublagem brasileira perde uma de suas vozes mais emblemáticas, mas o legado de Ricardo Schnetzer segue vivo em personagens que continuam presentes na memória afetiva do público.



