O cão ator Indy alcançou um feito inédito no cinema: ele foi indicado ao Astra Film Awards 2025 pela atuação em Bom Menino (Good Boy), tornando-se o primeiro cão a concorrer na categoria de Melhor Performance em Filme de Terror ou Thriller.
A disputa não é pequena: Indy está lado a lado com nomes como Ethan Hawke (Black Phone 2) e Sally Hawkins (Bring Her Back).
O filme já virou queridinho da crítica, com 90% de aprovação no Rotten Tomatoes, e também concorre a Melhor Primeiro Filme, reforçando que a indicação do retriever não é mero acaso. A cerimônia será no dia 9 de janeiro de 2026.
A indicação reacende um debate antigo: será que grandes premiações deveriam reconhecer o trabalho de animais-atores? Nos EUA, “Good Boy” virou até bandeira de campanha pelo Oscar incluir categorias para cães.
Bom Menino
O longa segue o ponto de vista de Indy, um Nova Scotia Duck Tolling Retriever que acompanha seu tutor, Todd, numa casa isolada onde algo claramente errado está acontecendo.
É um filme com pouquíssimas falas, sustentado quase exclusivamente pela expressividade do cão e pela tensão emocional de assistir um animal tentando proteger alguém que ama.
Indy não sofreu qualquer desconforto nas filmagens. Pelo contrário: foi dirigido pelo próprio tutor e roteirista, Ben Leonberg, que o acompanha desde filhote e registrou cenas ao longo de três anos de desenvolvimento do projeto.
O diretor conta que Indy “nem sabe que fez um filme”, mas entende perfeitamente quando a câmera significa ação.
Entre as inspirações declaradas do longa estão O Iluminado (1980) e Poltergeist (1982). Assim como Danny, o menino do filme de Kubrick, Indy representa a inocência diante do perigo e é justamente essa fragilidade que angustia o público.
Nos EUA, o sucesso levou a distribuidora IFC a divulgar uma carta aberta “assinada” por Indy, pedindo à Academia de Hollywood que considere animais nas categorias de atuação do Oscar.
O texto é bem-humorado, mas o impacto é real: nunca um cão esteve tão perto de uma indicação histórica.
No fim, Bom Menino não fala só de terror. Fala de lealdade, de vínculo e da forma silenciosa como os bichos nos salvam diariamente.


