A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novas diretrizes sobre prevenção da demência e trouxe uma estimativa considerada animadora por especialistas: até 45% do risco de desenvolver a doença pode ser prevenido ou adiado por meio da redução de fatores modificáveis ao longo da vida.
O alerta ganha relevância diante do avanço global da condição. Atualmente, mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo e cerca de 10 milhões de novos casos são diagnosticados a cada ano.
A doença é uma das principais causas de incapacidade e dependência entre idosos e ocupa a sétima posição entre as maiores causas de morte no planeta.
Demência não é consequência inevitável do envelhecimento
Embora seja mais comum após os 65 anos, a OMS reforça que a demência não deve ser encarada como uma consequência natural do envelhecimento.
Segundo a agência, uma parcela significativa dos casos está associada a fatores que podem ser controlados ou reduzidos ao longo da vida.
Entre eles estão:
- Tabagismo
- Consumo excessivo de álcool
- Sedentarismo
- Isolamento social
- Poluição atmosférica
- Hipertensão
- Diabetes
- Colesterol elevado
A orientação é que governos, profissionais de saúde e a população passem a tratar a prevenção da demência da mesma forma que outras doenças crônicas, com acompanhamento contínuo e mudanças de comportamento.
Prevenção ganha protagonismo
A atualização das recomendações acontece sete anos após a publicação das primeiras diretrizes globais da OMS sobre o tema.
De acordo com a entidade, novas pesquisas ampliaram significativamente o conhecimento científico sobre os fatores que influenciam o desenvolvimento da doença.
“Hoje sabemos mais do que nunca sobre os fatores que influenciam o risco de demência, e estas diretrizes traduzem esse conhecimento em medidas concretas”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Sem uma cura amplamente acessível ou tratamentos capazes de interromper a progressão da doença na maioria dos casos, a prevenção passou a ocupar papel central nas estratégias de saúde pública.
A forma mais comum de demência continua sendo o mal de Alzheimer, responsável por aproximadamente 60% a 70% dos diagnósticos.
A condição afeta progressivamente funções cognitivas como memória, raciocínio, linguagem e capacidade de realizar atividades do dia a dia.
Por isso, as novas recomendações da OMS também incluem ações voltadas à estimulação cognitiva, incentivo à atividade intelectual e treinamento para pessoas que já apresentam sinais leves de comprometimento cognitivo.
Impacto econômico bilionário
Além dos desafios para pacientes e familiares, a demência gera um impacto econômico expressivo.
A OMS estima que a condição custe cerca de US$ 1,3 trilhão por ano à economia mundial. Aproximadamente metade desse valor está relacionada a cuidados não remunerados prestados por parentes e amigos.
Para a organização, investir em prevenção pode trazer benefícios não apenas para os sistemas de saúde, mas também para a qualidade de vida da população.
“Compreender os fatores de risco e tomar medidas para prevenir a demência pode melhorar a saúde e a qualidade de vida, ajudando pessoas a viverem mais, com mais saúde e de forma mais independente”, destacou a agência.



