A rapper Ebony alcançou um marco inédito para o hip hop brasileiro ao se tornar a primeira mulher do rap a receber a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
A cerimônia aconteceu na última semana durante o evento “Hip Hop Contra o Feminicídio”, realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), reunindo artistas, pesquisadores, ativistas e representantes do movimento hip hop para discutir o papel da cultura na transformação social.
A homenagem foi proposta pela deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), que preside a Frente Parlamentar em Defesa do Hip Hop na Alerj.
O reconhecimento destaca a atuação de Ebony na música e sua contribuição para debates relacionados a racismo, desigualdade de gênero, direitos humanos e representatividade feminina.
Natural de Queimados, na Baixada Fluminense, a artista construiu uma trajetória que a transformou em uma das vozes mais influentes da nova geração do rap nacional.
Ao longo dos últimos anos, suas músicas ganharam destaque por abordar experiências pessoais, questões sociais e desafios enfrentados por mulheres negras e periféricas.
Após receber a honraria, Ebony celebrou o momento nas redes sociais com uma publicação que rapidamente repercutiu entre fãs e colegas da cena musical.
“Cansei de cordões de ouro. Comecei a colecionar medalhas. Usarei como amuleto”, escreveu a artista.
Mais do que um reconhecimento artístico, a premiação teve um significado especial por acontecer dentro de uma universidade pública.
Durante seu discurso, Ebony destacou que durante muito tempo enxergou o ambiente acadêmico como algo distante de sua realidade.
“Ter uma homenagem desse tipo dentro do meio universitário é um motivo de realmente sentir que o que eu estou fazendo tem sentido”, afirmou.
A rapper também dedicou a conquista às novas gerações de jovens negros, reforçando a importância da ocupação de espaços historicamente considerados inacessíveis para parte da população.
O evento que sediou a homenagem foi marcado por debates sobre o papel da cultura urbana no enfrentamento à violência de gênero e na promoção de inclusão social.
Além da entrega da medalha, a programação contou com o lançamento da Universidade do Hip Hop, iniciativa que selecionou oito MCs para participar de atividades de extensão na UERJ.
Também foi apresentado o livro “MC Não É Bandido”, obra que discute a criminalização histórica do movimento hip hop e que conta com texto de contracapa assinado pela própria Ebony.
A conquista reforça o crescimento da presença feminina dentro do rap brasileiro, gênero que historicamente foi dominado por homens.
Ao receber uma das mais importantes condecorações do estado do Rio de Janeiro, Ebony amplia o reconhecimento institucional do hip hop e consolida sua posição como uma das artistas mais relevantes de sua geração.
Mais do que uma homenagem individual, o momento simboliza o avanço de um movimento cultural que há décadas reivindica espaço, visibilidade e reconhecimento dentro da sociedade brasileira.



