Criança é internada com suspeita de contaminação por detergente Ypê

Produto utilizado pertence a lote sob investigação da Anvisa, mas relação direta ainda não foi confirmada

Uma criança foi internada com suspeita de contaminação após contato com detergente Ypê em Natal (RN), em um caso que passou a ser investigado pelas autoridades de saúde e reacendeu o alerta sobre produtos sob análise sanitária no país.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap), a criança foi inicialmente atendida na UPA de Pajuçara e, posteriormente, transferida para o Hospital Infantil Varela Santiago, onde segue sob acompanhamento especializado.

A família apresentou às autoridades um frasco de detergente da Ypê com numeração final 1, exatamente o grupo de lotes que teve:

  • recolhimento determinado pela Anvisa
  • produção e comercialização suspensas
  • risco potencial de contaminação microbiológica apontado

A medida foi tomada após inspeção que identificou falhas em etapas críticas do processo produtivo, com possibilidade de presença de microrganismos nos produtos.

Segundo relato de familiares, a criança apresentou manchas na pele no mesmo dia em que entrou em contato com o produto. O quadro evoluiu e motivou a busca por atendimento médico.

Apesar da associação feita pela família, não há confirmação de que o detergente tenha causado a contaminação. O caso segue sob investigação da vigilância epidemiológica, que aguarda resultados de exames laboratoriais.

“Não afirmamos que foi o produto, estamos aguardando os laudos”, disse um familiar.

Ainda de acordo com o relato, uma bactéria já teria sido identificada, mas sem confirmação de origem.

O episódio ocorre em meio à crise envolvendo a marca, após a Anvisa apontar 76 irregularidades na fábrica responsável pela produção dos itens investigados.

Entre os problemas identificados estão:

  • falhas no controle de qualidade
  • inconsistências nos processos de produção
  • descumprimento de boas práticas sanitárias

A agência também indicou risco de contaminação por bactérias, como a pseudomonas aeruginosa, em parte dos lotes analisados.

A empresa recorreu da decisão, o que suspendeu temporariamente os efeitos da medida. Mesmo assim, a recomendação das autoridades permanece:

  • não utilizar produtos dos lotes indicados
  • entrar em contato com o SAC da empresa para orientações

A Anvisa ainda deve analisar de forma definitiva o caso em reunião da diretoria colegiada.

Especialistas reforçam que, diante de qualquer reação após uso de produtos de limpeza, o indicado é:

  • suspender imediatamente o uso
  • procurar atendimento médico
  • guardar a embalagem para investigação

O caso da criança em Natal passa a ser acompanhado como possível evento associado, mas ainda depende de confirmação técnica para estabelecer qualquer relação direta com os produtos investigados.

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