O uso de fones de ouvido faz parte da rotina de milhões de brasileiros, seja no trabalho, durante exercícios ou em momentos de lazer.
No entanto, uma dúvida comum tem chamado a atenção: esse hábito pode causar infecções auditivas?
De acordo com especialistas, o problema não está necessariamente no acessório, mas sim na forma como ele é utilizado e higienizado.
A falta de cuidados básicos pode criar condições favoráveis para o surgimento de inflamações e infecções no ouvido.
Como o uso de fones pode afetar a saúde auditiva?
O ouvido humano possui mecanismos naturais de defesa, como a produção de cerúmen, que atua na proteção contra sujeira e microrganismos.
No entanto, o uso frequente de fones, especialmente os modelos inseridos no canal auditivo, pode interferir nesse equilíbrio.
Isso ocorre porque o acessório cria um ambiente mais quente, úmido e fechado, facilitando a proliferação de bactérias e fungos.
“Os modelos intra-auriculares podem provocar umidade, o que pode favorecer infecção bacteriana e fúngica. Podem causar também traumas na pele do conduto auditivo externo e, consequentemente, otite externa.
Eles podem ainda empurrar a cera para o interior do canal auditivo externo e levar à produção de rolha de cerúmen que ocasiona tamponamento do canal externo e sensação de surdez”, detalha Saramira Bohadana, otorrinolaringologista do Grupo Santa Joana, em entrevista à CNN.
Os modelos conhecidos como “in-ear” exigem maior atenção, já que ficam diretamente dentro do canal auditivo.
Embora não sejam, por si só, causadores de infecção, o uso contínuo sem limpeza adequada pode aumentar os riscos.
Já os fones externos, que ficam sobre ou ao redor das orelhas, tendem a apresentar menor probabilidade de problemas, mas também precisam de higienização frequente, principalmente nas áreas de contato com a pele.
Hábitos que aumentam o risco de infecção
Entre os comportamentos que devem ser evitados, o compartilhamento de fones de ouvido é um dos principais.
“O compartilhamento pode facilitar que bactérias como o Staphylococcus ou fungos entrem direto para o canal, aumentando a chance de otites externas. No entanto, este risco não é elevado. Ele aumenta se houver alguma lesão na pele do canal. Uma dica prática é higienizar regularmente os fones com álcool ou vinagre de álcool”, explica Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista pela Unifesp, à CNN.
Outro ponto importante é o tempo de uso. Especialistas recomendam moderação, seguindo a chamada regra do “60 por 60”:
Utilizar os fones por no máximo 60 minutos seguidos, com volume de até 60% da capacidade do aparelho.
“O ideal é até uma hora por dia em volume moderado. Isso diminui a chance de lesão auditiva, além de reduzir a compressão da pele do canal e ventilar a região. É muito comum a queixa de dor local se o uso é prolongado”, acrescenta Borges.
Além disso, pausas regulares ajudam a reduzir a pressão sonora e permitem que o ouvido se recupere.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
Sintomas como dor, coceira intensa, sensação de ouvido tampado ou presença de secreção podem indicar irritação ou infecção.
Nesses casos, a orientação é procurar avaliação médica para diagnóstico adequado.
Como higienizar corretamente os fones de ouvido?
A limpeza regular é essencial para evitar o acúmulo de sujeira e microrganismos. As recomendações incluem:
- Limpar a parte externa com pano macio levemente umedecido com álcool 70%;
- Remover ponteiras de silicone (quando possível) e lavá-las com água e sabão neutro;
- Garantir que todas as peças estejam completamente secas antes do uso;
- Seguir sempre as orientações do fabricante.
Uso consciente é a melhor prevenção
Embora os fones de ouvido sejam seguros quando utilizados corretamente, a combinação de uso prolongado, falta de higienização e compartilhamento pode aumentar os riscos à saúde auditiva.
Adotar hábitos simples de cuidado é fundamental para manter o conforto e evitar complicações no dia a dia.



