O Agente Secreto: Kleber Mendonça Filho entrega um thriller político à altura do Oscar

O Ocorre assistiu ao novo filme de Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto, e saiu do cinema com a sensação de estar diante de um daqueles raros trabalhos que unem potência estética, peso histórico e alma brasileira.

O longa, que chegou aos cinemas na última quinta-feira (6), é o escolhido para representar o Brasil no Oscar 2026 (e merece!).

A trama acompanha Marcelo (Wagner Moura), um homem enigmático que chega a Recife em 1977, em plena Ditadura Militar, dirigindo um fusquinha amarelo coberto de poeira.

O filme começa com uma das aberturas mais marcantes do cinema recente brasileiro: um corpo abandonado num posto de gasolina, a indiferença como pano de fundo e o som distante do carnaval prestes a começar. É um Brasil doente, cínico e ainda familiar.

A partir daí, Kleber constrói um thriller político de queima lenta, com um protagonista que parece fugir do próprio passado enquanto tenta sobreviver em meio à corrupção, à espionagem e à paranoia da época.

Moura entrega uma atuação contida e poderosa, feita de silêncios e olhares, o oposto do herói inflamado de Marighella, mas igualmente simbólico.

Recife, mais uma vez, é personagem. O diretor reafirma sua habilidade única em filmar o espaço urbano como memória viva.

A direção de arte e a fotografia recriam os anos 70 com perfeição, dos carros barulhentos às fachadas coloridas, sem cair no saudosismo.

Há tensão, ironia e também humor, especialmente nas interações com Dona Sebastiana (Tânia Maria), que equilibra o drama com um toque humano e cômico.

Apesar da excelência, O Agente Secreto tem pequenos tropeços. O epílogo ambientado no presente perde um pouco da força acumulada e introduz uma subtrama familiar que poderia ter sido melhor desenvolvida.

Ainda assim, o conjunto é tão sofisticado e coerente que esses deslizes pouco interferem na força da obra.

Mais do que uma história sobre perseguição política, o filme é uma reflexão sobre memória, identidade e resistência.

Entre o medo e a festa, entre a vida e a morte, Kleber Mendonça Filho reafirma seu posto como um dos grandes nomes do cinema mundial.

O Agente Secreto é cinema pulsante, brasileiro até o osso e, sim, merece cada prêmio e aplauso que vem recebendo.

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Envie sua notícia!

Participe do OCorre enviando notícias, fotos ou vídeos de fatos relevantes.
Preencha o formulário abaixo e, após verificação de nossa equipe, seu conteúdo poderá ser publicado.