DNA antigo: startup quer reviver mamute, dodô e tigre-da-Tasmânia

A americana Colossal Biosciences aposta em biotecnologia de ponta para recriar espécies extintas e promete mostrar resultados práticos nos próximos anos, em meio a debates éticos e ambientais

A startup americana Colossal Biosciences vem chamando a atenção do mundo com um projeto ousado: trazer de volta espécies extintas usando técnicas avançadas de edição genética e clonagem. O plano, que parece saído de um roteiro de ficção científica, vai muito além da simples curiosidade científica.

Depois de anunciar o avanço na recriação do lobo-terrível, espécie que desapareceu há cerca de 12 mil anos, a empresa revelou que trabalha agora na recuperação de três ícones da vida selvagem perdida: o mamute-lanoso, o tigre-da-Tasmânia e o dodô.

Segundo a Colossal, o processo combina DNA preservado de fósseis com células-tronco de espécies atuais geneticamente próximas.

No caso do mamute, por exemplo, genes preservados seriam combinados com o DNA de elefantes asiáticos. A expectativa é gerar indivíduos capazes de viver em ambientes semelhantes aos de seus ancestrais.

Os executivos da startup defendem que a iniciativa tem também um impacto positivo no meio ambiente. O retorno do mamute, por exemplo, poderia contribuir para a restauração da tundra siberiana, ajudando a conter a liberação de carbono no Ártico.

Já a reintrodução do dodô em determinadas ilhas poderia auxiliar na recuperação de ecossistemas locais.

Apesar do entusiasmo, a proposta levanta questões éticas e ambientais. Cientistas alertam para os riscos de inserir novamente espécies em ecossistemas que já se adaptaram à sua ausência.

Além disso, há dúvidas sobre o bem-estar dos animais recriados, que poderiam enfrentar dificuldades para sobreviver fora de ambientes controlados.

Outro ponto em discussão é se o investimento bilionário não deveria ser direcionado à proteção de espécies em risco de extinção hoje, em vez de tentar recuperar animais do passado.

Com apoio de grandes nomes da ciência e do investimento internacional, a Colossal promete mostrar resultados práticos nos próximos anos.

Enquanto isso, o mundo observa com uma mistura de curiosidade e preocupação: será que estamos prestes a viver uma era em que espécies extintas voltarão a caminhar entre nós?

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