Uma nova tecnologia pode mudar de forma significativa a forma como o câncer de próstata é diagnosticado.
Pesquisadores britânicos anunciaram o desenvolvimento de um teste de saliva que pode ser feito em casa e que apresentou resultados mais precisos do que o tradicional exame de sangue PSA (antígeno prostático específico).
O estudo, chamado BARCODE 1, foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres em parceria com o Royal Marsden NHS Foundation Trust e publicado no New England Journal of Medicine, uma das revistas médicas mais respeitadas do mundo.
Diferentemente do PSA, que mede a presença de uma proteína associada ao câncer, o teste analisa o DNA presente na saliva do paciente.
A partir dessa análise, os cientistas calculam um escore de risco poligênico, que combina variantes genéticas ligadas à doença. Essa abordagem permite identificar com maior precisão quais homens têm probabilidade mais alta de desenvolver o câncer de próstata.
Segundo os pesquisadores, essa metodologia tem potencial para reduzir falsos positivos e diagnósticos desnecessários, comuns no teste de sangue atual. Além disso, possibilita detectar casos que poderiam passar despercebidos em exames convencionais.
A professora Ros Eeles, oncogeneticista e líder da pesquisa, destacou o impacto da descoberta: “Uma simples amostra de saliva pode identificar os homens com maior risco de câncer de próstata de forma mais precisa do que o exame de sangue atual. Isso nos permitirá diagnosticar mais cânceres precocemente e com maior chance de cura”.
Ela reforçou ainda que, por ser simples e não invasivo, o exame pode aumentar a adesão ao rastreamento, já que muitos homens evitam consultas médicas preventivas.
Se implementado em larga escala, o teste poderá transformar o diagnóstico da doença, que é uma das mais comuns entre homens no mundo.
No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são estimados mais de 71 mil novos casos por ano. O diagnóstico precoce é fundamental, já que as chances de cura chegam a 90% quando a doença é identificada nos estágios iniciais.
A expectativa é que, nos próximos anos, o teste de saliva passe por novas fases de validação clínica e, futuramente, esteja disponível para uso no sistema de saúde britânico e em outros países.


