65% dos brasileiros apoiam a redução da jornada de trabalho semanal

Apoio é maior entre jovens e desempregados, que veem na medida uma chance de novas oportunidades no mercado

Uma pesquisa da Nexus, divulgada nesta quarta-feira (30/4), trouxe novos dados para o debate sobre a carga horária dos brasileiros e seus reflexos no mercado de trabalho.

O levantamento revela que 65% da população é favorável à redução da jornada semanal de 44 horas para uma carga menor.

O resultado antecede o Dia do Trabalhador, comemorado em 1º de maio, e aponta para uma demanda crescente por mais qualidade de vida e equilíbrio entre rotina profissional e pessoal.

Entre os jovens de 16 a 24 anos, o apoio é ainda mais expressivo: 76% defendem a medida, número que reflete a dificuldade desse grupo em conquistar o primeiro emprego e a expectativa de que jornadas mais curtas possam abrir novas oportunidades.

Já entre os desempregados, o índice chega a 73%, reforçando a percepção de que a flexibilização pode contribuir para a criação de vagas.

O estudo também mostrou que 66% dos trabalhadores ocupados apoiam a redução da jornada, mesmo já inseridos no mercado.

A adesão expressiva entre quem está empregado indica que a mudança não é vista apenas como uma medida emergencial, mas como uma possibilidade real de reestruturação das relações de trabalho no Brasil.

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, avalia que a redução da jornada poderia trazer impactos positivos para a economia e a sociedade: “O mercado de trabalho brasileiro convive há anos com altas taxas de desemprego, especialmente entre jovens. Uma diminuição na carga horária pode estimular novas contratações e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores já empregados”, afirmou.

A discussão sobre redução da jornada não é exclusiva do Brasil. Em países como Espanha, Reino Unido e Islândia, projetos-piloto vêm testando semanas de quatro dias ou cargas horárias menores, com resultados considerados positivos tanto em produtividade quanto em bem-estar dos funcionários.

No Brasil, o tema divide opiniões entre especialistas: enquanto parte dos economistas defende que a medida pode encarecer a folha de pagamento das empresas, sindicalistas e defensores da proposta argumentam que ela pode modernizar o mercado e reduzir desigualdades.

Com o avanço das transformações no mundo do trabalho, a pressão social por mudanças deve aumentar. A pesquisa da Nexus mostra que, mais do que uma pauta sindical, a redução da jornada é hoje uma demanda popular que atravessa gerações e classes sociais.

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