O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) acionou o Ministério Público Federal (MPF) para investigar o uso da plataforma Discord por grupos extremistas no Brasil.
Segundo o parlamentar, a ferramenta, popular entre gamers e comunidades digitais, vem sendo utilizada para a disseminação de conteúdos ilegais e planejamento de crimes graves, incluindo estupro virtual, maus-tratos a animais e até um suposto atentado a bomba durante um show da cantora Lady Gaga, no Rio de Janeiro.
Na representação protocolada, Boulos também pediu a suspensão temporária do Discord no país, sob o argumento de que a empresa opera no Brasil sem representação legal formal e sem mecanismos eficazes de moderação.
O objetivo, segundo ele, é obrigar a plataforma a se adequar à legislação nacional, garantindo cooperação com autoridades policiais e judiciais.
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia no combate a crimes virtuais.
Para Boulos, a ausência de medidas de monitoramento eficientes transforma o Discord em um “espaço de impunidade digital”, onde extremistas encontram terreno fértil para organizar ataques e compartilhar práticas criminosas.
A denúncia destaca ainda a dificuldade das autoridades em rastrear usuários que se escondem sob perfis anônimos, aproveitando brechas na legislação e na própria estrutura da plataforma. Boulos argumenta que, assim como outras redes sociais que já foram responsabilizadas judicialmente, o Discord deve criar regras claras de moderação, canais de denúncia acessíveis e presença jurídica no Brasil.
O Discord é uma das plataformas de comunicação mais utilizadas no mundo, com cerca de 200 milhões de usuários ativos por mês, e se popularizou além do universo gamer, abrigando comunidades temáticas de música, política e entretenimento.
No entanto, casos recentes de crimes virtuais envolvendo o aplicativo têm despertado atenção global.
Até o momento, a empresa não se pronunciou oficialmente sobre o pedido de investigação. O MPF ainda avaliará a representação feita por Boulos e poderá solicitar informações adicionais à plataforma.
Se a suspensão temporária for acatada, o Brasil pode se tornar um dos primeiros países a restringir o acesso ao Discord por razões de segurança digital, abrindo precedente para maior regulação da atuação de empresas de tecnologia no território nacional.



