O rapper Oruam, de 22 anos, é o novo rosto da capa de verão da revista britânica Dazed, publicada nesta segunda-feira (2).
A publicação apresenta o artista como uma das maiores apostas do rap brasileiro, ressaltando seu impacto crescente tanto na cena nacional quanto internacional.
Na entrevista, Oruam falou sobre a polêmica da chamada “Lei Anti-Oruam”, projeto em discussão no Congresso que pretende proibir o financiamento público de shows de artistas cujas letras seriam interpretadas como apologia ao crime.
O nome do rapper foi usado como símbolo pelos proponentes. Ele respondeu com ironia: “Tem um projeto de lei com o meu nome, então sou muito famoso. Eles vão se lembrar de mim para sempre”.
A reportagem da Dazed detalha a trajetória de Oruam, filho de Marcinho VP, apontado como um dos líderes do Comando Vermelho.
O artista cresceu entre contrastes: de um lado, a rigidez de uma família evangélica, do outro, a vivência nas ruas e vielas do Rio de Janeiro. Essa dualidade, segundo ele, moldou sua visão de mundo e sua arte.
Com letras cruas, batidas pesadas e uma postura sem concessões, Oruam construiu uma base de fãs fiel, sobretudo entre jovens das periferias.
A revista o descreve como alguém que “se torna ícone e alvo ao mesmo tempo”, justamente por representar realidades frequentemente ignoradas ou criminalizadas pela grande mídia.
A presença na Dazed reforça a internacionalização do rap brasileiro, que já conta com nomes como Racionais MC’s, Emicida e Karol Conká no radar global.
Oruam surge como representante de uma nova geração que une a tradição do rap nacional ao alcance digital das plataformas de streaming.
Para ele, a música não é apenas entretenimento, mas também ferramenta de resistência e expressão social. “A arte sempre foi o meu jeito de falar sobre o que vivo e vejo. Não vou parar de cantar porque incomoda”, afirmou.
A polêmica em torno da Lei Anti-Oruam reacende o debate sobre liberdade de expressão no Brasil. Críticos apontam risco de censura e cerceamento cultural, enquanto defensores alegam combate à “glamourização do crime”.
A repercussão internacional, com Oruam estampando a capa de uma das revistas mais influentes da cultura pop, amplia ainda mais a dimensão da discussão.



