O ex-presidente Jair Bolsonaro compareceu nesta quinta-feira (5) à Polícia Federal, em Brasília, para prestar depoimento sobre o envio de R$ 2 milhões ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde março.
Após quase duas horas de oitivas na Superintendência da PF, Bolsonaro admitiu a transferência, alegando que o objetivo foi garantir que o filho não enfrente dificuldades financeiras fora do país.
“Eu botei dois milhões na conta dele. Lá fora, tudo é mais caro, eu tenho dois netos e ele está lá fora, eu não quero que ele passe por dificuldades”, disse.
Segundo o ex-presidente, o repasse foi feito de forma regular: “Botei dinheiro na mão dele, bastante até, e ele está levando a vida dele. Dinheiro limpo, legal, Pix”.
A investigação foi aberta após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que avalia que Jair Bolsonaro teria se beneficiado de ações políticas do filho no exterior.
Eduardo, mesmo licenciado da Câmara, é suspeito de apoiar estratégias de pressão contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apontou indícios de que o deputado licenciado teria tentado interferir no andamento de processos criminais que envolvem o ex-presidente e aliados próximos.
As suspeitas podem embasar nova ação penal contra Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro nos EUA
Eduardo deixou o Brasil em março, quando oficializou sua licença da Câmara dos Deputados, sem direito a salário. À época, justificou a estadia nos EUA como parte de uma missão para buscar sanções contra violadores de direitos humanos.
Atualmente, vive com a família em solo americano. O ex-presidente destacou ainda os custos de manter os dois netos no país e insistiu que a ajuda financeira não tem qualquer relação com questões políticas.
O depoimento será anexado ao inquérito em andamento no STF. A PGR avalia se pedirá novas diligências ou se já apresentará denúncia formal contra Bolsonaro e Eduardo.


