Queda de cabelo? Pesquisa aponta novo efeito das canetas emagrecedoras

Pesquisas indicam maior incidência de alopecia entre usuários de medicamentos GLP-1, especialmente da tirzepatida, embora casos permaneçam incomuns

O uso de canetas emagrecedoras à base de medicamentos da classe GLP-1 pode estar associado a um aumento no risco de queda de cabelo, segundo novos estudos publicados por pesquisadores internacionais.

Embora a incidência de alopecia permaneça baixa, análises indicam que pacientes em tratamento com esses medicamentos apresentam maior probabilidade de desenvolver o problema em comparação com usuários de outras terapias para diabetes.

Os resultados foram divulgados na quarta-feira (22) em estudo publicado no periódico científico ‘The BMJ’.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia observaram que, dois ou mais anos após o início do tratamento, usuários de medicamentos GLP-1 tiveram um risco 37% maior de receber um novo diagnóstico de alopecia em relação aos pacientes tratados com inibidores de SGLT-2.

Quando comparados aos usuários de medicamentos da classe DPP-4, o aumento do risco chegou a 68%.

Apesar desse crescimento proporcional, a frequência da condição permaneceu reduzida. As taxas registradas variaram entre aproximadamente três e nove casos para cada mil pessoas por ano, considerando grupos com cerca de 11 mil a 15 mil participantes.

Os medicamentos avaliados incluíram semaglutida, comercializada como Wegovy e Ozempic, tirzepatida, vendida como Zepbound e Mounjaro, além de outros fármacos da mesma classe.

Estudos reforçam associação entre GLP-1 e alopecia

Outro estudo recente, publicado no ‘Journal of the American Academy of Dermatology’, analisou dados de mais de 1 milhão de participantes em diferentes países.

A pesquisa identificou um risco significativamente maior de diversos subtipos de alopecia entre usuários de medicamentos GLP-1 quando comparados à metformina, medicamento amplamente utilizado no tratamento do diabetes.

Uma terceira investigação, ainda em fase de revisão por pares, também apontou diferenças entre os principais medicamentos da classe. O levantamento, conduzido pela empresa de análise Nference, comparou 11.046 usuários de tirzepatida com o mesmo número de pacientes tratados com semaglutida.

Os resultados mostraram que a alopecia de início recente ocorreu em 4,24% dos usuários de tirzepatida, enquanto entre os pacientes que utilizaram semaglutida a taxa foi de 3,33%.

Mulheres apresentaram maior incidência

Entre as mulheres, a diferença foi ainda mais evidente. Segundo o estudo, 5,44% das pacientes tratadas com tirzepatida desenvolveram alopecia, contra 3,63% das que utilizaram semaglutida.

Os pesquisadores destacam que a queda de cabelo costuma acompanhar processos de perda de peso e, na maioria dos casos, é considerada reversível.

No entanto, os dados da Nference sugerem que a maior incidência observada com a tirzepatida não depende exclusivamente da quantidade de peso perdida nem da dose administrada.

Segundo a equipe responsável pela pesquisa, isso indica que outros fatores podem estar envolvidos no desenvolvimento da alopecia durante o tratamento.

O estudo também identificou maior ocorrência da condição em pacientes com doenças da tireoide ou outros distúrbios endócrinos, o que pode indicar uma relação com fatores hormonais, autoimunes ou dermatológicos preexistentes.

“Isso apoia um aconselhamento e vigilância mais individualizados, em vez de uma mensagem genérica de que a perda de peso em si inevitavelmente causa queda de cabelo”, diz.

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