De tempos em tempos, uma velha história volta a circular nas redes sociais: a de que Lionel Messi seria autista ou teria Síndrome de Asperger. Apesar da popularidade da afirmação, a informação é falsa e nunca foi confirmada por médicos, familiares ou pelo próprio jogador.
A discussão voltou a ganhar força durante a Copa do Mundo de 2026, quando buscas sobre o tema aumentaram nas redes sociais e em mecanismos de pesquisa.
Segundo o endocrinologista Diego Schwarzstein, médico que acompanhou Messi durante sua infância na Espanha, o craque argentino jamais recebeu qualquer diagnóstico relacionado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“Leo Messi é um cara completamente normal. Ele teve um problema de crescimento quando criança, e é o maior jogador de futebol de todos os tempos. Não sei de onde surgiu essa história, mas é absolutamente falsa.”
A origem do boato remonta a 2013, quando um artigo publicado pelo jornalista brasileiro Roberto Amado afirmou que Messi teria sido diagnosticado com Síndrome de Asperger aos oito anos de idade.
Na época, o autor alegou que existiriam registros sobre o assunto na internet, mas nenhuma comprovação médica ou documento oficial foi apresentado.
A publicação rapidamente ganhou repercussão e ultrapassou as fronteiras do Brasil, sendo compartilhada em diversos países.
Romário ajudou a espalhar a informação sobre Messi ser autista
O alcance da história aumentou ainda mais quando o ex-jogador Romário comentou o assunto nas redes sociais. Na época, o campeão mundial publicou mensagens mencionando o suposto diagnóstico de Messi.
Posteriormente, segundo relatos da época, o pai do jogador argentino, Jorge Messi, entrou em contato para contestar as afirmações. As publicações acabaram sendo removidas, mas capturas de tela continuaram circulando na internet.
O problema de saúde enfrentado por Messi durante a infância foi outro.
Quando ainda era criança, ele foi diagnosticado com deficiência do hormônio do crescimento, condição que dificultava seu desenvolvimento físico.
O tratamento era caro e foi um dos fatores que motivaram sua mudança de Rosário, na Argentina, para a Espanha, após o Barcelona assumir os custos médicos.
Graças ao acompanhamento especializado, Messi conseguiu completar o tratamento e seguir sua carreira normalmente.
Por que o boato continua circulando?
Especialistas apontam alguns fatores que ajudam a explicar a longevidade da fake news.
O primeiro deles é o próprio funcionamento das redes sociais: a informação falsa se espalhou muito mais rapidamente do que os desmentidos posteriores.
Outro ponto é a persistência de estereótipos relacionados ao autismo e à ideia equivocada de que pessoas dentro do espectro necessariamente possuem habilidades extraordinárias ou inteligência acima da média.
Além disso, características da personalidade de Messi frequentemente são usadas para alimentar especulações.
Ao longo dos anos, o argentino já se descreveu como uma pessoa reservada, tímida e pouco confortável com a exposição pública. Vídeos mostrando momentos de introspecção durante jogos, treinamentos e entrevistas também costumam viralizar nas redes.
No entanto, especialistas ressaltam que traços de personalidade não são suficientes para indicar qualquer diagnóstico médico.
O caso de Messi é um exemplo de como informações sem comprovação podem permanecer vivas por muitos anos, mesmo após serem desmentidas por fontes diretamente envolvidas.
Mais de uma década depois do surgimento da história, o médico que acompanhou o craque durante sua infância reforça que o argentino nunca foi diagnosticado com autismo.
Ainda assim, a falsa informação segue reaparecendo periodicamente e confundindo parte do público, especialmente em momentos de grande exposição do jogador, como durante as Copas do Mundo.



