Adolescente denuncia plano da mãe para matar servidora e ajuda polícia no Paraná

Jovem de 16 anos teve acesso às mensagens da mãe, procurou a vítima e registrou denúncia na polícia

Um adolescente de 16 anos denunciou a própria mãe à polícia após descobrir que ela planejava encomendar o assassinato de uma servidora da Casa Lar de Abatiá, no Norte do Paraná.

A mulher, de 41 anos, foi presa preventivamente e é investigada por tentativa de homicídio qualificado por promessa de recompensa e motivo torpe.

Segundo a Polícia Civil, o alvo do suposto crime era uma funcionária da instituição onde o jovem foi acolhido após ele e os irmãos terem sido retirados da guarda dos pais por decisão judicial.

De acordo com o delegado Luís Guilherme Almeida Cerqueira, o adolescente ainda tinha autorização para visitar os pais mesmo vivendo em acolhimento institucional.

Foi durante um desses encontros que a mãe teria revelado a intenção de mandar matar a servidora.

“A mãe mencionou para o filho: ‘Olha, eu estou encomendando a morte da servidora da Casa Lar’”, relatou o delegado.

Desconfiado, o jovem pediu para ver as provas do que ela dizia.

“O filho, acho que ficou desconfiado, e falou: ‘Ah, mãe, eu quero ver então’. E ela mostrou as mensagens”, afirmou o investigador.

Após ter acesso às conversas, o adolescente procurou a funcionária ameaçada para contar o que havia descoberto.

Os dois foram juntos até a delegacia para registrar a ocorrência, dando início à investigação policial.

Segundo a Polícia Civil, a mulher atribuía à servidora parte da responsabilidade pela perda da guarda dos filhos e acreditava que ela teria influenciado a decisão judicial.

Quando a denúncia foi formalizada, as mensagens já haviam sido apagadas do celular da investigada.

Mesmo assim, os policiais conseguiram identificar um suposto intermediário envolvido nas negociações. Ele colaborou com as investigações e forneceu capturas de tela das conversas.

Nas mensagens, segundo a polícia, a mulher informava detalhes da rotina da vítima, indicava onde ela costumava estacionar o carro e discutia o pagamento de R$ 3 mil pelo crime.

Em uma das conversas, ela escreveu: “Vamos deixar para o dia sete, é o dia em que eu recebo”.

O intermediário afirmou aos investigadores que acompanhava a situação para verificar até onde a mulher levaria o plano e que pretendia comunicar a polícia posteriormente.

Segundo a investigação, a Justiça retirou a guarda dos três filhos do casal após denúncias relacionadas a maus-tratos, abandono intelectual e falta de cuidados básicos.

“As crianças estariam sofrendo maus-tratos, não estariam tendo alimentação adequada, não estariam tendo o ensino adequado e não estariam frequentando a escola”, explicou o delegado.

A Polícia Civil também investiga a participação do marido da suspeita. Ele responde ao caso em liberdade. A servidora apontada como alvo do plano não foi ferida e passa bem.

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