Enchentes na China espalham mais de 900 cobras venenosas; Vídeo!

Após o tufão Maysak, serpentes escaparam de criadouros em Guangxi, levando autoridades a reforçar resgates e estoques de soro antiveneno

As enchentes na China provocadas pela passagem do tufão Maysak levaram à fuga de mais de 900 cobras de criadouros comerciais na cidade de Hengzhou, na Região Autônoma de Guangxi Zhuang.

O episódio ocorreu durante uma das mais intensas temporadas de chuvas do verão no país e fez com que autoridades reforçassem equipes de captura, ampliassem os estoques de soro antiofídico e orientassem a população a evitar contato com os animais devido ao aumento do risco de acidentes ofídicos.

Entre as serpentes que escaparam estão espécies venenosas, incluindo najas, além de cobras-d’água e cobras-rato-rei.

Segundo as autoridades locais, criadouros foram danificados pelas inundações, permitindo que os animais alcançassem áreas urbanas e buscassem abrigo em locais secos, como residências, depósitos, escadas e margens de rios.

O departamento de gestão de emergências de Hengzhou informou que recebeu relatos tanto de fazendas atingidas quanto de moradores atacados após a fuga das serpentes.

Como medida preventiva, os órgãos públicos recomendaram que a população não tente capturar os animais e acione equipes especializadas sempre que encontrar uma cobra.

Enchentes na China agravaram situação em Guangxi

O incidente ocorre em meio a uma sequência de fortes temporais que atingem diferentes regiões da China.

Em Guangxi, as enchentes deixaram pelo menos seis mortos, cerca de 50 mil pessoas foram retiradas de suas casas e outras seis permaneciam desaparecidas.

Em todo o país, o número de mortes relacionadas às chuvas chegou a 39, incluindo vítimas de deslizamentos de terra e tornados registrados em outras províncias.

Outro reflexo do volume de precipitações foi a elevação do nível do rio Liujiang, integrante da bacia do Rio das Pérolas.

Na estação hidrológica de Liuzhou, o rio alcançou 85,6 metros, ultrapassando em 3,1 metros a cota de alerta e inundando os andares térreos de edificações localizadas em áreas mais baixas.

 

Cobras - China
Fotos: Reprodução/Redes Sociais

Fuga de serpentes preocupa autoridades

Hengzhou está entre os principais polos de criação de serpentes da China. Tradicionalmente ligada ao consumo da carne desses animais, a atividade atualmente abastece principalmente os setores farmacêutico e biomédico, que utilizam substâncias extraídas do veneno em pesquisas e na produção de medicamentos.

Estimativas apontam que, em 2020, a região de Guangxi concentrava cerca de 20 milhões de cobras distribuídas em mais de 14 mil criadouros.

Com a passagem do tufão Maysak, parte dessas estruturas foi inundada, favorecendo a fuga de centenas de serpentes.

Além das cobras, as enchentes também atingiram um zoológico particular da região.

Zebras, burros, cavalos miniatura, avestruzes, emas e guaxinins escaparam dos recintos. Funcionários conseguiram impedir a fuga de grandes predadores, embora três leões tenham morrido afogados durante a inundação.

Operação reforça captura e atendimento médico

A presença de serpentes em áreas urbanas levou à criação de uma força-tarefa para reduzir os riscos à população.

Integrantes de uma equipe civil de captura informaram ao jornal Beijing News que recolheram entre dois e três mil cobras em apenas dois dias de trabalho, principalmente exemplares de cobras-rato.

Os hospitais de Hengzhou também ampliaram a oferta de soro antiofídico e estabeleceram atendimento prioritário para vítimas de picadas, além de deslocarem equipes médicas para as regiões mais afetadas pelas enchentes.

Vídeos divulgados nas redes sociais e reproduzidos pela imprensa local mostram serpentes nadando pelas águas das enchentes, muitas delas com a cabeça acima da superfície.

Outras imagens registram moradores utilizando redes na tentativa de capturar os animais, enquanto as autoridades reforçam a orientação para que esse tipo de abordagem seja evitado.

Confira:

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