O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) acusa a influenciadora Virginia Fonseca de induzir seguidores a apostar na vitória de Cabo Verde contra a Argentina durante a Copa do Mundo de 2026.
A acusação consta em ação civil pública apresentada na quarta-feira (8), e sustenta que a divulgação teria integrado uma estratégia da plataforma Blaze para captar apostadores por meio de publicidade considerada abusiva.
Segundo o MP, Virginia publicou, na sexta-feira (3), um vídeo em que aparece utilizando o aplicativo da Blaze para apostar R$ 200 na vitória da seleção cabo-verdiana. A Argentina venceu a partida por 3 a 2, eliminando Cabo Verde da competição.
No conteúdo, a influenciadora afirmou: “Tá todo mundo sabendo que hoje vai ter Argentina contra Cabo Verde. E assim, gente, estou esperançosa que o Vozinha [goleiro de Cabo Verde] vai pegar todas pra gente. Já tô aqui na Blaze para fazer minha aposta. Cabo Verde, claro. Porque eu tô confiante no Vozinha. Vou deixar o link para quem também quiser fazer a aposta”.
Confira:
O MPDFT ajuizou uma ação civil pública contra Virginia Fonseca e a Blaze e pede indenização de pelo menos R$ 120 milhões por supostos danos morais coletivos. O órgão também solicita a remoção de conteúdos sobre apostas das redes sociais da influenciadora.
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— portalviggo.com (@matheusviggo) July 9, 2026
MP questiona publicidade de aposta divulgada por Virginia
De acordo com a ação, o conteúdo não estava identificado de forma clara como publicidade. O Ministério Público argumenta ainda que a influenciadora utilizou linguagem emocional para incentivar uma aposta em uma seleção que não era favorita no confronto.
A tela exibida no vídeo mostrava saldo superior a R$ 3,4 mil e uma odd de 9,2 para a vitória de Cabo Verde. Isso significava um possível retorno de R$ 9,20 por real apostado, conforme as condições apresentadas na publicação.
Ainda no vídeo, Virginia fez alertas sobre restrição de idade e riscos envolvidos.
“Lembrando que menor de 18 anos é proibido na plataforma, é só para maiores de 18. E jogue com responsabilidade porque é um jogo como qualquer outro, você pode ganhar e você pode perder. Eu vou estar acompanhando o jogo, secando a Argentina e torcendo pro Vozinha”, diz Virginia.
O MP afirma que o episódio faria parte de uma atuação mais ampla.
“As apurações demonstram que a conduta de Virginia Fonseca não foi episódica. Ela integra um modelo sistemático e estruturado de captação de apostadores orquestrado pela Blaze durante a Copa do Mundo de 2026.
A plataforma adotou uma estratégia coordenada de intensificação publicitária coincidente com as partidas, explorando a alta exposição emocional e o engajamento coletivo do torneio para induzir o consumo impulsivo“, afirma o órgão.
Ação pede indenização de R$ 120 milhões
A investigação também considera denúncias de consumidores sobre retenção de valores depositados, bloqueios de contas e justificativas consideradas genéricas, além de um relatório técnico que, segundo o processo, reúne mais de 42 mil reclamações contra a plataforma.
O Ministério Público pede indenização por danos morais coletivos em valor não inferior a R$ 120 milhões.
Também solicita, em caráter de urgência, a retirada de conteúdos publicitários que prometam lucros irreais, induzam consumidores a erro, incentivem apostas esportivas específicas ou apresentem publicidade sem identificação clara.
A defesa de Virginia afirmou que “refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores”.
Segundo os advogados, as acusações serão respondidas nos autos e a responsabilização civil deve ser baseada em provas concretas.
A Blaze informou que ainda não havia sido formalmente intimada e declarou que “se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país”.


