Drauzio Varella explica por que não se deve jogar remédios no lixo ou na pia

Médico detalha como o hábito comum pode contaminar água, solo e contribuir para um dos maiores problemas de saúde pública atual

O médico Drauzio Varella voltou a ganhar repercussão nas redes sociais com um vídeo publicado há cerca de dois anos, em que explica os riscos do descarte de medicamentos de forma incorreta.

Apesar de antigo, o conteúdo voltou a circular por tratar de um tema considerado permanente: o impacto ambiental e sanitário causado por hábitos comuns dentro de casa.

Logo no início, o médico faz um alerta direto: “remédio a gente não joga no lixo não joga na pia nem no vaso sanitário”. Segundo ele, práticas aparentemente simples podem gerar consequências mais amplas do que se imagina.

De acordo com Drauzio, o problema começa no caminho percorrido pelos resíduos. Ao serem descartados em pias ou vasos sanitários, os medicamentos seguem pelo sistema de encanamento e acabam atingindo o meio ambiente.

“Eles vão ser levados pelo encanamento e vão contaminar os lençóis freáticos”, explica. Já no caso do lixo comum, o destino também é preocupante. “Vão parar nos lixões e nos lixões eles vão contaminar o ambiente ali”, afirma.

Esse tipo de contaminação ocorre porque os sistemas tradicionais de tratamento de água e esgoto não foram projetados para eliminar substâncias químicas presentes em medicamentos.

Entre os principais impactos destacados pelo médico está o avanço da resistência bacteriana, considerada uma das maiores ameaças à saúde global.

Drauzio chama atenção especialmente para o descarte de antibióticos: “se os antibióticos são jogados no lixão eles vão ficar diluídos aquelas bactérias vão aprender a se defender deles”.

Esse processo faz com que micro-organismos desenvolvam resistência aos medicamentos, reduzindo a eficácia de tratamentos e dificultando o controle de infecções.

Ele resume o problema de forma direta: “vão causar resistência bacteriana que é um dos principais problemas de saúde pública hoje”.

Como jogar remédios fora corretamente?

Diante do alerta, o médico também orienta sobre o procedimento adequado. Em vez de descartar em casa, os medicamentos devem ser encaminhados para pontos específicos de coleta.

“Você tem que levar para locais onde há coleta desses medicamentos”, afirma. Segundo ele, esses pontos estão, principalmente, em farmácias e redes de drogarias.

Para quem vive em cidades menores, a recomendação é procurar o sistema público de saúde. “Você tem que levar pra unidade básica de saúde e pedir a orientação”, explica.

O descarte correto inclui não apenas os comprimidos, mas também embalagens como blisters e frascos, que entram em programas de logística reversa.

Um dos pontos centrais do vídeo é o efeito cumulativo desse tipo de descarte. Embora isoladamente pareça inofensivo, o comportamento repetido em larga escala gera consequências significativas.

Drauzio sintetiza essa ideia ao dizer: “parece uma bobagem isso, né? […] É que quando a gente soma tudo que é jogado fora de forma inadequada nós causamos um problema pro ambiente”.

Segundo ele, os impactos vão além do meio ambiente e podem atingir diretamente a população. “Vai contaminar o lençol freático com moléculas que depois vão chegar à casa das pessoas”, alerta.

O descarte inadequado de medicamentos segue sendo um desafio, tanto pela falta de informação quanto pela ausência de pontos de coleta em algumas regiões.

A orientação de especialistas permanece a mesma: evitar o descarte doméstico e buscar canais adequados. A medida, embora simples, tem impacto direto na preservação ambiental e na segurança sanitária.

Assista ao vídeo original sobre descarte de medicamentos:

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