O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) a saída do governo da Faixa de Gaza, encerrando quase duas décadas de administração direta no território palestino.
A medida abre espaço para a criação de um comitê tecnocrático responsável pela gestão civil, em meio às negociações internacionais sobre o futuro da região.
A decisão foi acompanhada pela renúncia de Mohammed al-Farra, chefe do governo ligado ao grupo, confirmada durante coletiva de imprensa por representantes da organização.
O Hamas controla Gaza desde 2007, quando assumiu o poder após confrontos com o Fatah, partido ligado à Autoridade Palestina.
Segundo o grupo, a saída tem como objetivo reduzir tensões e facilitar acordos políticos e humanitários, diante do cenário prolongado de conflito.
Em comunicado, o Hamas afirmou que a decisão busca:
- Aliviar os impactos da guerra em curso
- Facilitar a reconstrução do território
- Eliminar justificativas para ações militares israelenses
Apesar da dissolução do órgão governamental, funcionários técnicos devem permanecer nos cargos para evitar um colapso administrativo.
Com a saída do Hamas, a expectativa é que o chamado Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) assuma a gestão do território.
O grupo foi estruturado com apoio internacional e tem como proposta estabelecer:
- Administração civil independente
- Coordenação da reconstrução de Gaza
- Centralização do controle institucional
O governo dos Estados Unidos declarou que o comitê deverá atuar sob o princípio de “uma única autoridade, uma única lei e uma única arma”, o que inclui o controle de armamentos no território.
Especialistas avaliam que a medida tem caráter principalmente político. Segundo analistas, o principal ponto de tensão continua sendo o desarmamento do Hamas, tema central nas negociações e considerado um dos maiores obstáculos para avanços concretos.
A decisão ocorre em meio a um cenário ainda instável. Mesmo após o acordo de cessar-fogo firmado em outubro de 2025, episódios de violência continuam sendo registrados.
Dados divulgados por autoridades locais apontam:
- Mais de 1.000 mortos desde o cessar-fogo
- Dezenas de ataques recentes em áreas residenciais
- Mais de 70 mil mortos desde o início do conflito em 2023
Israel e Hamas seguem trocando acusações sobre violações da trégua.
Apesar da saída formal do governo, o futuro da Faixa de Gaza permanece indefinido. Israel já declarou que não aceita o retorno do Hamas ao poder, mas também resiste, por ora, à transferência do controle para a Autoridade Palestina.
O cenário mantém o território em um impasse político e militar, com negociações em andamento mediadas por atores internacionais.


