A cantora Dua Lipa inaugurou uma biblioteca dedicada a livros censurados e escolheu uma obra brasileira para marcar o início do projeto. O espaço, chamado Manifesto Library, foi aberto no último sábado (27) dentro da tradicional Livraria Lello, no Porto, em Portugal.
O primeiro título a ocupar as prateleiras foi “Olhos d’Água” (2014), da escritora Conceição Evaristo, referência da literatura afro-brasileira. A escolha foi celebrada pela autora, que compartilhou a novidade nas redes sociais.
“Junto à recepção calorosa que recebi na Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal, tive a grata surpresa de saber que o livro ‘Olhos D’água’, de minha autoria, foi escolhido como a primeira obra para ocupar as prateleiras da Manifesto Library”, escreveu.
A Manifesto Library é a primeira versão física do Service95 Book Club, clube de leitura digital mantido por Dua Lipa. O projeto reúne cerca de 100 livros que já foram banidos, censurados ou alvo de tentativas de apagamento em diferentes partes do mundo.
O acervo está organizado em quatro eixos principais:
- Poder
- Controle
- Voz
- Memória
A proposta é transformar o espaço em um ambiente de reflexão sobre liberdade de expressão e os limites impostos à circulação de ideias.
“É um santuário para livros que desapareceram, para autores cuja coragem desmascara estruturas de poder e controle, e para leitores que se recusam a aceitar que lhes digam qual livro podem ler”, declarou a artista.
Entre os títulos já confirmados estão obras como “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, e “Felon”, de Reginald Dwayne Betts, além de clássicos frequentemente questionados por abordarem temas como raça, gênero, política e violência.
Na obra escolhida para inaugurar o espaço, Conceição Evaristo reúne 15 contos que retratam a vida de personagens marcados por desigualdade, violência e resistência, especialmente dentro da realidade da população negra no Brasil.
O livro percorre histórias de mulheres em diferentes contextos sociais, explorando vínculos afetivos, dilemas existenciais e a vulnerabilidade humana. A escrita da autora é marcada pelo conceito de “escrevivência”, que mistura experiências pessoais e coletivas na construção literária.
A presença de Evaristo como ponto de partida da biblioteca reforça o alcance internacional da autora, que tem obras traduzidas para diversos idiomas e ocupa, desde 2024, uma cadeira na Academia Mineira de Letras.
A iniciativa de Dua Lipa conecta literatura e ativismo cultural ao propor uma curadoria que destaca obras historicamente silenciadas e coloca uma escritora brasileira no centro desse movimento logo na estreia.
Veja a lista de títulos já divulgados:
- “The God of Small Things”, de Arundhati Roy
- “Girl, Woman, Other” (Rapariga, Mulher, Outra), de Bernardine Evaristo
- “Olhos d’água”, de Conceição Evaristo
- “My Pen Is the Wing of a Bird”, antologia de escritoras afegãs
- “My Friends”, de Hisham Matar
- “To Kill a Mockingbird” (Matar um Rouxinol), de Harper Lee
- “The Adventures of Huckleberry Finn”, de Mark Twain
- “Born a Crime” (Sou um Crime), de Trevor Noah
- “The Color Purple” (A Cor Púrpura), de Alice Walker
- “Nineteen Minutes” (Dezanove Minutos), de Jodi Picoult
- “A Thousand Splendid Suns” (Mil Sóis Resplandecentes), de Khaled Hosseini
- “The Kite Runner” (Cometas no Céu / Cometas en el Cielo), de Khaled Hosseini
- “Decolonising the Mind” (Descolonizar la Mente), de Ngũgĩ wa Thiong’o
- “Stamped from the Beginning” (Marcados al Nacer), de Ibram X. Kendi
- “The Catcher in the Rye”, de J. D. Salinger
- “The Hate U Give”, de Angie Thomas
- “Milk and Honey” (Leite e Mel), de Rupi Kaur
- “The Vegetarian” (A Vegetariana), de Han Kang
- “The Satanic Verses” (Los Versos Satánicos), de Salman Rushdie
- “Cien años de soledad”, de Gabriel García Márquez
- “Cleptopia”, de Tom Burgis
- “A Case of Exploding Mangoes”, de Mohammed Hanif
- “The Banned Books of Lula Dean” (A Biblioteca de Livros Banidos de Lula Dean), de Kirsten Miller
- “Animal Farm”, de George Orwell
- “The Sympathizer” (O Simpatizante), de Viet Thanh Nguyen
- “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury
- “The Handmaid’s Tale” (O Conto da Aia / História de uma Serva), de Margaret Atwood
- “Brave New World” (Admirável Mundo Novo), de Aldous Huxley
- “The Unbearable Lightness of Being” (A Insustentável Leveza do Ser), de Milan Kundera
- “Go Set a Watchman” (Mataram a Cotovia / Mataram a Corovia), de Harper Lee
- “Soldados de Salamina”, de Javier Cercas
- “Maus”, de Art Spiegelman
- “Persepolis”, de Marjane Satrapi
- “We Are Not Numbers”, antologia sobre a Palestina
- “Felon”, de Reginald Dwayne Betts


