O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira (23) uma resolução contra Trump que busca limitar novos ataques militares ao Irã sem autorização prévia do Congresso. O texto já havia passado pela Câmara e agora representa um revés político relevante para o presidente, embora não tenha força de lei.
A proposta foi aprovada por 50 votos a 48, com apoio de parlamentares democratas e dissidências dentro do próprio Partido Republicano. Quatro senadores republicanos votaram contra o governo: Rand Paul, Susan Collins, Lisa Murkowski e Bill Cassidy.
A votação evidencia uma crescente preocupação no Congresso com a condução do conflito com o Irã, especialmente após ações militares recentes autorizadas pela Casa Branca.
Apesar do impacto político, a medida não tem poder legal para impedir diretamente o presidente. Ainda assim, estabelece um limite simbólico e institucional ao uso de força militar sem aval legislativo.
A resolução reforça o entendimento constitucional de que:
- O Congresso deve autorizar guerras formais
- O presidente pode agir apenas em respostas imediatas a ameaças
- Operações prolongadas exigem aprovação após 60 dias
Esse ponto é central no embate atual. Segundo parlamentares, o governo teria ultrapassado esse prazo ao manter ações militares após o início da ofensiva.
A Casa Branca argumenta que o prazo deixou de valer após um cessar-fogo firmado em abril, o que, na visão do governo, interromperia a contagem legal.
Já críticos sustentam que novos ataques posteriores reativaram a necessidade de autorização do Congresso e que a continuidade da ofensiva sem esse aval representa uma violação do equilíbrio entre os poderes.
A aprovação da resolução marca um momento raro: é a primeira vez desde a Resolução dos Poderes de Guerra, de 1973, que o Congresso avança formalmente para restringir a atuação militar de um presidente em exercício.
Para acelerar a tramitação, os democratas recorreram a uma manobra regimental, garantindo que o texto fosse analisado em menos de um mês.
A guerra com o Irã tem se mostrado um tema sensível dentro dos Estados Unidos. Além da divisão no Congresso, o conflito enfrenta resistência da opinião pública e vem sendo associado a efeitos econômicos, como a alta no preço dos combustíveis.
Nos bastidores, aliados de Trump avaliam que o desgaste pode impactar diretamente as eleições legislativas de novembro, quando serão renovadas cadeiras na Câmara e no Senado.
A votação ocorre poucos dias após Estados Unidos e Irã assinarem um memorando para encerrar o conflito, embora ainda existam pontos em negociação para um acordo definitivo.
Mesmo com o cessar-fogo em vigor, há expectativa de novos embates institucionais. A Casa Branca pode recorrer à Justiça para contestar a medida, enquanto opositores prometem atuar para garantir seu cumprimento político.


