PM morre após beber taça que ele mesmo teria envenenado para a ex-mulher

Relacionamento marcado por violência e medida protetiva antecede caso que agora é investigado como morte suspeita

A morte de um cabo da Polícia Militar de Pernambuco dentro do apartamento da ex-companheira, na zona sul do Recife, passou a ser investigada sob diferentes hipóteses, incluindo a possibilidade de envenenamento.

O caso, inicialmente registrado como morte a esclarecer, envolve uma sequência de episódios marcados por ciúmes, ameaças e descumprimento de medida protetiva.

O policial José Maria Alexandre da Silva Junior, de 40 anos, morreu na quinta-feira (11), após passar mal durante um encontro com a ex-companheira, Helen Kelly de Lima Pedrosa, 48, no bairro de Boa Viagem. A causa da morte ainda depende dos resultados de exames periciais.

De acordo com informações obtidas pela polícia, o histórico do casal é um dos principais focos da apuração. O relacionamento era marcado por comportamento possessivo, episódios de violência doméstica e tentativas insistentes de reaproximação.

Segundo o advogado da mulher, Yuri Bold, o policial exercia controle constante sobre a ex-companheira: “Era um relacionamento coberto de ciúmes. Ele tentava sempre ter acesso ao celular dela, não deixava que ela conversasse com outros homens. A medida protetiva surgiu justamente após uma agressão praticada por ele no final de fevereiro”.

A medida protetiva de urgência foi concedida no início de março, mas, segundo o depoimento da mulher, o militar passou a descumprir a decisão judicial, retomando contato com a ex por meio de amigos e familiares.

As investigações também analisam mensagens trocadas entre o casal, que indicam pressão para a retirada da medida protetiva e episódios recorrentes de ciúmes.

Em uma das mensagens, o policial escreveu: “Eu sei que você ainda só. Coisa boa pode não acontecer. Deixa as coisas acontecerem. O que você vai perder eu não sei. Mas você vai perder. Você já está avisada. Tire as medidas na moral. Encontro você no inferno, mas encontro”.

Em outro trecho, ele afirma: “Já falei que você é minha e de mais ninguém para sempre”.

Segundo a defesa da mulher, o militar também utilizava promessas de casamento e união estável como forma de convencimento para que a medida judicial fosse retirada.

O encontro que terminou na morte do policial aconteceu dias após o casal, segundo relatos, decidir encerrar definitivamente a relação. Mesmo assim, ele foi até o apartamento da ex, tendo sua entrada autorizada.

Durante a madrugada, os dois consumiram bebidas energéticas. Um dos pontos centrais da investigação envolve um episódio relatado pela defesa da mulher: a troca de taças.

De acordo com o advogado: “Ela pegou uma taça para ela e outra para ele. Em determinado momento ele pediu que ela fosse buscar gelo. Quando voltou, ela percebeu que a taça dela não estava mais onde havia deixado e que parecia ter sido trocada”.

Ainda segundo o relato, desconfiada, a mulher teria recolocado as taças na posição original quando o policial se afastou momentaneamente.

Horas depois, ele passou mal, apresentando espuma na boca e lábios arroxeados. O óbito foi constatado no local.

As taças e amostras das bebidas consumidas foram apreendidas e encaminhadas para análise. Os exames toxicológicos devem indicar se houve intoxicação e qual substância pode ter provocado a morte.

Até o momento:

  • Não há confirmação de envenenamento
  • Nenhum suspeito foi formalmente apontado
  • A ex-companheira prestou depoimento e foi liberada

O caso segue sob investigação da 3ª Delegacia de Homicídios de Pernambuco.

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