Semanas antes de morrer no Rio de Janeiro, o cantor Oliver Tree já havia definido o destino de sua fortuna e a decisão chamou atenção após a tragédia.
Em entrevista ao programa Zach Sang Show, o artista afirmou que não deixaria herança para a família e que todo o patrimônio seria destinado a um projeto voltado a novos talentos.
“Minha família não vai receber um centavo. Se eu tiver esposa, filhos, o que for, não vão receber nada. Vou pagar a faculdade dos meus filhos, esse é o acordo, mas não vão ter colher de prata”, declarou.
A fala ganhou repercussão depois da morte do músico, no domingo (14), em um acidente envolvendo a colisão de dois helicópteros no Rio de Janeiro, que também deixou outras vítimas.
Segundo o próprio cantor, o dinheiro seria direcionado à fundação Dr. Oliver Tree’s Art Grants for Baby Geniuses, criada com o objetivo de financiar artistas emergentes.
“A ideia é que quando eu morrer, todo o dinheiro vai voltar para os artistas”, explicou.
O modelo prevê que um comitê formado por pessoas próximas ao músico seja responsável por decidir quem receberá os recursos, incluindo tanto o patrimônio acumulado quanto os royalties gerados após sua morte.
A morte de Oliver Tree causou forte impacto no meio artístico, com homenagens de nomes relevantes da música internacional.
A cantora Melanie Martinez, ex-namorada do artista, escreveu: “Estou arrasada. É difícil entender como alguém com quem você compartilhou um período tão específico e formativo da vida pode simplesmente desaparecer. Ele tinha um coração gentil e era um verdadeiro artista em todos os sentidos. Descanse em paz, Oliver. Sei que está fazendo os anjos rirem”.
Já Kid Cudi comentou: “Falei com o Oliver algumas semanas atrás. Isso é devastador. Um ser humano realmente incrível e bonito”.
A cantora Bebe Rexha também lamentou a perda: “Ele era tão inteligente, apaixonado, talentoso e gentil. Estou em choque”.
Outros artistas, como T-Pain e a comediante Whitney Cummings, destacaram o impacto criativo e humano de Oliver Tree.
O cantor havia se apresentado em São Paulo no início de junho e permanecia no Brasil nos dias seguintes. Suas últimas publicações nas redes sociais mostravam momentos de lazer, com amigos, futebol e experiências gastronômicas no país.
Com uma agenda de 70 shows programados ao redor do mundo, a morte interrompeu uma fase ativa da carreira e surpreendeu a indústria musical.
A decisão de não deixar herança para familiares e direcionar toda a fortuna para a arte reforça um traço marcante da trajetória de Oliver Tree: a tentativa de transformar sua carreira em um projeto criativo contínuo, inclusive após a morte.
Ao destinar recursos para novos artistas, o cantor constrói um legado que, na prática, busca retroalimentar o próprio sistema que o projetou, mas sem repetir a lógica tradicional de sucessão patrimonial.


