Ex-secretária do Bem-Estar Animal é presa por matança de animais no RS

Polícia aponta esquema com eutanásias sem justificativa, possível uso de doações e suspeita de vazamento de informações

A Polícia Civil prendeu, na manhã desta segunda-feira (15), a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, durante a segunda fase da Operação Carrasco, que investiga um suposto esquema de eutanásia de cães e gatos sem necessidade médica no Rio Grande do Sul. Dois veterinários também foram detidos.

Segundo a investigação, a operação apura uma “matança desmedida” de animais resgatados, que teriam sido sacrificados mesmo em casos com possibilidade de tratamento. A ex-secretária foi presa na sede do instituto que leva seu nome, em Porto Alegre.

De acordo com a polícia, ao menos 498 animais foram mortos em oito meses durante a gestão de Paula na secretaria municipal. A apuração avançou com análise de celulares e movimentações bancárias dos investigados.

Além de Paula Lopes, foram presos os veterinários Tainara Harth e Marcus Vinicius Jenisch, suspeitos de participação no esquema. Outros profissionais tiveram os passaportes apreendidos e estão proibidos de deixar o país.

A polícia também cumpre 12 mandados de busca e apreensão, incluindo clínicas veterinárias onde os procedimentos teriam sido realizados.

Uma das linhas de investigação aponta para possível estelionato, com campanhas de arrecadação para tratamento de animais que, segundo os investigadores, já estavam destinados à eutanásia.

Em um dos casos citados, mensagens atribuídas à ex-secretária indicariam a autorização direta do procedimento: “Pode fazer direto.”

Enquanto isso, o instituto mantinha publicações pedindo doações para o tratamento do mesmo animal.

A investigação também atingiu uma policial civil, suspeita de vazar informações sigilosas da primeira fase da operação e de auxiliar na produção de laudos falsos. Foram cumpridos mandados na casa e no local de trabalho da agente.

Ao chegar à delegacia, Paula Lopes afirmou que “não tinha eutanásias que eram feitas desnecessárias”, alegando que havia respaldo técnico para os procedimentos.

As defesas dos veterinários também afirmaram não ter acesso completo ao inquérito e negaram irregularidades, destacando que os atendimentos realizados eram de natureza profissional.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-RS) informou que solicitou acesso ao inquérito para apurar a conduta dos profissionais envolvidos.

Declaração de denúncia pública

O caso também ganhou repercussão após manifestações públicas de ativistas da causa animal. Leia um dos relatos, do defensor Rodrigo Maroni, deixado em postagem sobre o assunto no Instagram:

“Fui eu quem denunciou Paula Lopes e também a atuação da 15ª Delegacia. Hoje, Paula está presa e a 15ª Delegacia foi alvo de busca e apreensão em razão de uma agente investigada por supostamente forjar boletins de ocorrência e laudos veterinários. Trata-se de algo gravíssimo e lamentável. Faço essas denúncias há muitos anos, sempre pelos caminhos institucionais, levando minhas preocupações às autoridades competentes. Não falo por vingança, nem por disputa política. Falo porque acredito que a causa animal e a credibilidade das instituições precisam ser protegidas. Também é um fato que Paula Lopes transitava entre diferentes espectros políticos, mantendo relações com nomes da esquerda e da direita, como Luciana Genro, Zucco e Leonel Radde. Essa é a realidade dos fatos e demonstra que a defesa dos animais não pode ser capturada por interesses políticos ou por relações de conveniência. Não comemoro a prisão de ninguém. O que espero é que toda a verdade seja apurada, que haja responsabilização de quem cometeu irregularidades e que a confiança nas instituições seja restabelecida.”

A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, suspensão de perfis em redes sociais ligados à investigada e a nomeação de um interventor para o instituto.

O caso segue em investigação, com expectativa de novos desdobramentos a partir da análise das provas coletadas.

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