A forma como cães e humanos envelhecem pode ser mais parecida do que se imaginava. Um estudo recente do Dog Aging Project identificou que os dois compartilham os mesmos marcadores biológicos associados à longevidade e à saúde ao longo da vida.
A pesquisa, publicada na revista científica The Journals of Gerontology, analisou substâncias chamadas metabólitos (compostos químicos produzidos pelo organismo) que ajudam a entender como o envelhecimento acontece em nível celular.
Os resultados apontam que esses marcadores funcionam de maneira semelhante nas duas espécies, indicando padrões próximos de risco ou proteção contra doenças e morte precoce.
Segundo a diretora veterinária do projeto, Kate Creevy, as descobertas reforçam uma conexão biológica relevante entre humanos e seus animais de estimação.
“As moléculas que representam risco para os cães ou que os protegem de uma morte mais precoce são muito parecidas com as encontradas em pessoas, mostrando que compartilhamos características importantes da biologia do envelhecimento.”
Os cientistas analisaram amostras de sangue de cães participantes do projeto e cruzaram os dados com informações fornecidas por seus tutores, como hábitos de vida e condições de saúde.
O foco foi identificar biomarcadores, ou seja, sinais mensuráveis no organismo ligados a processos como:
- metabolismo
- inflamação
- resposta ao estresse celular
Para validar os achados, os pesquisadores compararam os dados com cinco grandes estudos sobre mortalidade humana, que utilizam metodologia semelhante.
O resultado foi consistente: os padrões associados ao envelhecimento e à expectativa de vida foram semelhantes em todas as análises.
Uma das explicações para essa proximidade está no fato de que cães domésticos compartilham o cotidiano com humanos.
Eles vivem sob condições muito parecidas, incluindo:
- alimentação
- níveis de atividade física
- ambiente urbano ou doméstico
Essa convivência torna os cães um modelo valioso para entender como o estilo de vida impacta o envelhecimento.
“Uma das coisas de que mais gostamos ao estudar cães no contexto do envelhecimento é que seus estilos de vida são extremamente variados e refletem os hábitos de seus donos”, afirmou Creevy.
Outro fator importante é o tempo de vida.
Enquanto humanos vivem, em média, mais de 70 anos, os cães têm expectativa de cerca de 12 a 13 anos. Isso permite observar, em menos tempo, os efeitos de diferentes fatores sobre a saúde.
Na prática, isso acelera pesquisas sobre longevidade, doenças e qualidade de vida.
Os resultados indicam que os cuidados recomendados para humanos também fazem sentido para os animais.
Entre eles:
- manter alimentação equilibrada
- controlar o peso corporal
- estimular mobilidade
- preservar a saúde cognitiva
Além de ajudar a melhorar a qualidade de vida dos cães, esse tipo de pesquisa também pode contribuir para avanços na medicina humana.
A relação entre espécies, nesse caso, deixa de ser apenas afetiva e passa a ser também científica.


