Juiz que fazia live em ponte que desabou segue na UTI no Acre

Estrutura de R$ 36 milhões havia sido interditada um dia antes; vítimas foram resgatadas e levadas para hospitais

Um juiz aposentado ficou ferido após o desabamento de uma ponte no interior do Acre, minutos depois de iniciar uma transmissão ao vivo denunciando problemas na estrutura.

O caso ocorreu em Sena Madureira, na noite de sexta-feira (5), e voltou a levantar questionamentos sobre a segurança da obra, inaugurada há pouco mais de dois anos.

O ex-magistrado Edinaldo Muniz, de 54 anos, filmava a situação da Ponte Frei Paolino Baldassari quando parte da estrutura cedeu. Na live, ele criticava a durabilidade da obra e chegou a comparar o caso com um acidente anterior no Tocantins, que deixou mortos.

Uma obra dessa, a gente espera que dure décadas, mas essa, durou só dois anos”, afirmou durante a transmissão.

Além de Edinaldo, outras três pessoas ficaram feridas:

  • Edinei Muniz, irmão do juiz, com fratura no braço
  • Antônio Morais Lima Filho, 36 anos
  • Weverton Murieta, 34 anos, com ferimentos leves

Segundo a equipe médica, Edinaldo sofreu lesão renal com sangramento interno e precisou ser transferido para Rio Branco. Ele foi encaminhado para atendimento especializado e segue sob cuidados intensivos, na UTI.

A estrutura já apresentava sinais de risco. O tráfego foi interditado na quinta-feira (4), um dia antes do desabamento, após relatos de movimentação do solo nas margens do Rio Iaco.

Mesmo assim, o colapso ocorreu no início da noite de sexta-feira, quando cerca de 60% da ponte cedeu, segundo o Corpo de Bombeiros.

A obra tinha:

  • 232 metros de extensão
  • Duas pistas para veículos
  • Calçadas para pedestres
  • Custo superior a R$ 36 milhões
  • Inauguração no fim de 2023

Imagens divulgadas nas redes sociais antes do acidente indicavam frestas entre blocos de concreto na estrutura. A vistoria mais recente, realizada dias antes, foi motivada justamente por relatos de uma fenda.

Apesar disso, segundo o órgão responsável, intervenções anteriores não haviam identificado comprometimento estrutural relevante.

Especialistas apontam que o desabamento pode estar relacionado a problemas de fundação ou falhas estruturais, como recalque do solo ou insuficiência na sustentação do bloco de apoio.

Uma análise técnica preliminar sugere que o colapso pode ter ocorrido por falha na transmissão de carga entre pilares e estacas, situação semelhante a outros acidentes estruturais registrados no país.

A causa oficial, no entanto, ainda depende de perícia.

A Ordem dos Advogados do Brasil no Acre divulgou nota cobrando transparência na investigação e responsabilização dos envolvidos.

O governo do estado informou que mobilizou equipes de saúde, assistência social e resgate, além de enviar técnicos ao local. A governadora Mailza Assis também se deslocou para o município após o acidente.

A ponte era uma ligação importante entre distritos e o centro de Sena Madureira. O colapso compromete o deslocamento na região e ocorre no mesmo dia em que outra ponte do município também foi interditada por risco estrutural.

O episódio reacende o debate sobre qualidade de obras públicas recentes, manutenção e fiscalização, especialmente em regiões onde fatores naturais, como erosão acelerada, impactam diretamente a infraestrutura.

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