A vacina do Butantan é a primeira do mundo contra a dengue aplicada em dose única e também o primeiro imunizante totalmente desenvolvido no Brasil para a doença.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estados e municípios serão oficialmente comunicados para interromper a utilização da vacina até a conclusão das investigações.
As doses disponíveis, porém, deverão permanecer armazenadas nas redes de refrigeração locais e não devem ser descartadas.
“Reforçaremos nessa reunião [após a coletiva com a redes municipais, de vigilância] a nota técnica para descontinuar de forma temporária a atual estratégia da vacina da dengue do Butantan“, afirmou Padilha.
Próximos passos da investigação da vacina da dengue
Além da suspensão da aplicação, o Ministério da Saúde anunciou uma série de medidas para ampliar o monitoramento de possíveis eventos adversos relacionados ao imunizante.
Entre as ações previstas está a realização de reuniões com municípios onde a vacina foi aplicada para promover uma busca ativa por novos casos.
As cidades deverão avaliar registros locais, identificar possíveis ocorrências associadas à vacinação e encaminhar notificações às autoridades sanitárias.
A pasta também orientará o monitoramento de pacientes com diagnóstico de dengue após vacinação recente, casos com sinais de alarme e registros de óbitos.
O acompanhamento poderá ser realizado por lote de vacina, unidade de saúde ou território.

Anvisa e Butantan participam das análises
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que notificou o Instituto Butantan e deverá convocar um comitê de especialistas para conduzir a investigação epidemiológica dos casos registrados.
O Butantan ficará responsável por analisar as informações disponíveis e fornecer novos dados às autoridades. O trabalho será realizado de forma conjunta entre a Anvisa, o Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), e o instituto.
Em entrevista à GloboNews, a infectologista e diretora do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia, Rosana Richtmann, destacou a importância da análise detalhada dos casos.
“Eles vão analisar todas as pessoas que tiveram esses sinais, mesmo os que não foram graves, para ver se tem alguma característica em comum”, disse.
Orientações para quem já recebeu o imunizante
O Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem acompanhamento em uma unidade de saúde para observação de possíveis reações adversas.
Os principais sinais de alerta incluem febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral.
Dados da farmacovigilância apontam que, entre janeiro e 30 de maio de 2026, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% do total de vacinados.
Entre esses casos, 42 apresentaram sinais de alarme, correspondendo a 0,008% das pessoas imunizadas.
Dos registros considerados mais graves, três evoluíram para quadros severos. Dois deles resultaram em morte e seguem sob investigação para determinar se houve ou não relação com a vacinação.
A suspensão temporária não afeta a Qdenga, vacina desenvolvida pela farmacêutica Takeda e atualmente disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.


