Se você procura uma experiência diferente para o feriado, Backrooms: Um Não-Lugar talvez seja a dica mais curiosa em cartaz atualmente. Não apenas pelo terror psicológico ou pela atmosfera sufocante, mas pela história por trás do próprio filme.
Antes de chegar aos cinemas, Backrooms nasceu no YouTube.
Em 2022, o então adolescente Kane Parsons publicou em seu canal, Kane Pixels, um curta-metragem chamado The Backrooms (Found Footage). Produzido praticamente de forma independente, o vídeo mostrava uma pessoa perdida em um labirinto infinito de corredores amarelados, escritórios vazios e espaços que pareciam existir fora da realidade.
O resultado viralizou e acumulou centenas de milhões de visualizações, transformando uma lenda urbana da internet em um fenômeno global.
O mais impressionante é que Kane Parsons tem apenas 20 anos.
Depois do sucesso da websérie criada no YouTube, Hollywood bateu à porta. O estúdio A24 apostou no jovem criador para comandar a adaptação cinematográfica do próprio universo que ele havia desenvolvido online. Parsons acabou se tornando o diretor mais jovem da história da produtora a comandar um longa-metragem.
O feito ganhou ainda mais destaque porque o filme chegou aos cinemas sem depender de uma franquia já conhecida, algo cada vez mais raro na indústria.
A trajetória de Parsons parece saída de um roteiro. Apaixonado por animação, efeitos visuais e histórias de terror desde a adolescência, ele aprendeu sozinho a utilizar programas de modelagem 3D e edição. Com essas ferramentas, criou um universo que misturava estética de videogame, gravações encontradas (found footage) e horror existencial.
O que começou como um vídeo publicado na internet acabou se transformando em um longa estrelado por atores como Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve.
Vale a pena assistir a Backrooms: Um Não-Lugar?
Mesmo para quem nunca acompanhou a série original do YouTube, Backrooms chama atenção pela atmosfera.
O filme aposta menos em sustos tradicionais e mais em uma sensação constante de desconforto. Corredores vazios, espaços impossíveis e a ideia de estar preso em um lugar sem saída criam um terror psicológico que conversa diretamente com a cultura da internet.
Talvez o aspecto mais interessante seja justamente esse: Backrooms representa uma nova geração de cineastas que surgiu fora de Hollywood, construindo audiência primeiro nas redes sociais e só depois chegando às salas de cinema.
Para quem gosta de terror, cultura digital ou simplesmente de histórias improváveis de sucesso, é uma das estreias mais interessantes do ano.


