Alunos brasileiros criam maca acionada por voz e vencem prêmio internacional

Protótipo desenvolvido em escola técnica usa tecnologia acessível para ampliar autonomia de pacientes com mobilidade reduzida

Dois estudantes do ensino técnico do Rio de Janeiro conquistaram destaque internacional ao desenvolver uma maca hospitalar acionada por comando de voz, pensada para ampliar a autonomia de pacientes com mobilidade reduzida.

Os alunos João Marcelo e Cauã Da Cal, da Escola Técnica Estadual Henrique Lage (ETEHL), foram premiados com o título de “Melhor Projeto Internacional” durante a Mostra de Ciência Nacional 2026, realizada na cidade do Porto, em Portugal.

O protótipo desenvolvido pelos estudantes permite que a maca seja ajustada por voz, controlando funções como inclinação e altura sem a necessidade de esforço físico.

A solução utiliza plataformas acessíveis, como:

  • Arduino, para controle eletrônico
  • Módulos de reconhecimento de voz, semelhantes aos usados por assistentes virtuais

A proposta atende principalmente pessoas tetraplégicas, idosos ou pacientes acamados, que muitas vezes dependem de terceiros para realizar ajustes básicos.

Segundo o professor orientador Altair Martins, esse é justamente o diferencial do projeto: eliminar a dependência de outra pessoa para tarefas simples.

A ideia surgiu a partir de uma experiência pessoal. João Marcelo, um dos autores do projeto, tem uma avó acamada por problemas cardíacos e mobilidade reduzida.

A convivência com essa realidade levou o estudante a identificar uma limitação prática: equipamentos disponíveis no mercado costumam ser caros e, muitas vezes, ainda exigem algum tipo de interação manual.

A partir daí, o grupo desenvolveu a solução ao longo de cerca de um ano, passando por etapas de pesquisa, prototipagem e testes.

Antes de conquistar o prêmio internacional em Portugal, o projeto já acumulava resultados relevantes em competições nacionais.

Entre os reconhecimentos estão:

  • 1º lugar na feira do CRT-RJ
  • 1º lugar na Mostratec, uma das principais feiras da América Latina
  • 2º lugar na FECTI (RJ)
  • 3º lugar na Febrace, uma das maiores competições estudantis do país

A premiação internacional consolida o projeto como um dos mais promissores no campo da tecnologia assistiva desenvolvida por estudantes.

Além da inovação técnica, o projeto chama atenção por abordar uma questão prática: o acesso.

Equipamentos hospitalares automatizados já existem, mas costumam ter alto custo e baixa acessibilidade. Ao usar componentes mais simples e populares, os estudantes demonstram que é possível desenvolver alternativas mais viáveis.

O resultado é uma solução que não apenas resolve um problema técnico, mas também aponta para um caminho mais inclusivo no desenvolvimento de tecnologias voltadas à saúde.

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