A Justiça de Goiás condenou o Hospital da Mulher de Inhumas ao pagamento de R$ 1 milhão em indenização por danos morais às famílias de dois meninos que foram trocados logo após o nascimento, em 2021. A decisão é de primeira instância e ainda pode ser contestada.
O valor será dividido igualmente entre os pais das crianças, com R$ 250 mil para cada mãe e cada pai.
O caso só veio à tona em 2024, quando um dos pais desconfiou da paternidade e realizou um exame de DNA. O resultado revelou que o menino não era seu filho biológico, o que levou à contraprova e, posteriormente, à confirmação da troca envolvendo os dois bebês.
As crianças nasceram no mesmo dia, 15 de outubro de 2021, com apenas 14 minutos de diferença, o que contribuiu para o erro na entrega.
Segundo investigação da Polícia Civil, a identificação dos recém-nascidos foi feita corretamente, mas houve uma falha de uma técnica de enfermagem no momento de entregar os bebês às famílias.
O delegado responsável concluiu que não houve crime, classificando o caso como um erro operacional, e pediu o arquivamento da investigação criminal.
Na decisão, a Justiça reconheceu a gravidade excepcional do caso, destacando os impactos emocionais, psicológicos e familiares profundos vividos pelas duas famílias.
Um dos pais, que não teve a identidade revelada, afirmou que a indenização não compensa o que foi vivido.
“Dinheiro nenhum vai cobrir o que a gente está passando”, disse.
Mesmo após a descoberta, a situação segue delicada. Os meninos foram devolvidos às famílias biológicas, mas a adaptação ainda não aconteceu plenamente.
Segundo relato de um dos pais, as crianças não reconhecem os pais biológicos como seus responsáveis, já que passaram os primeiros anos de vida com as outras famílias.
Atualmente, foi estabelecida guarda compartilhada entre os casais, enquanto o processo de adaptação continua.
Em nota, o hospital informou que o caso foi um “episódio isolado” em décadas de funcionamento e que os procedimentos internos foram revisados após o ocorrido.
A instituição também afirmou que seu departamento jurídico está analisando a decisão e que pode apresentar recurso.


