Ator com medo de facada real levou filme de Bolsonaro a adotar esquema extremo de segurança

Relatos indicam clima de tensão no set, com revistas, controle rígido e até plano de evacuação para o ator

As gravações de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, foram marcadas por um clima de tensão nos bastidores. O ator norte-americano Jim Caviezel demonstrou preocupação constante com a própria segurança durante a produção realizada no Brasil.

Segundo relatos obtidos pelo jornal O Globo, o artista temia sofrer uma facada real ao gravar a cena que reconstitui o atentado contra Bolsonaro em 2018. O receio levou a equipe a adotar um esquema rígido de segurança, incomum para produções do gênero.

Entre as medidas implementadas estavam:

  • Revistas frequentes em figurantes e profissionais
  • Proibição do uso de celulares durante as gravações
  • Controle de acesso com reconhecimento facial

O Hospital Indianápolis, em São Paulo, utilizado como locação para cenas de internação, chegou a operar com acesso restrito, seguindo protocolos semelhantes aos de ambientes hospitalares reais.

As exigências geraram desconforto entre integrantes da equipe. De acordo com a reportagem, ao menos 15 profissionais registraram reclamações no sindicato da categoria, alegando abordagens consideradas constrangedoras.

O ambiente já era considerado sensível por conta do teor político do projeto. A produção, escrita e produzida por Mário Frias e dirigida por Cyrus Nowrasteh, lidava com preocupações envolvendo polarização política e possíveis invasões ao set.

Relatos indicam que Caviezel também teria ficado abalado após acompanhar notícias de uma operação policial no Rio de Janeiro com elevado número de mortes, o que aumentou sua percepção de risco durante a estadia no país.

O nível de preocupação chegou a outro patamar quando o ator solicitou a criação de um plano de evacuação do Brasil, prevendo rotas “por terra, ar e mar”.

O pedido teria sido motivado por declarações do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre tensões na Venezuela. Caviezel interpretou o cenário como uma ameaça regional.

A produção confirmou que o esquema chegou a ser elaborado. Ainda assim, o ator deixou o país antes do fim das filmagens, o que obrigou a equipe a concluir parte das cenas com dublês.

Em nota, a produtora Go Up Entertainment afirmou que o ator seguiu protocolos de segurança definidos por sua equipe pessoal e que decisões logísticas foram respeitadas.

A empresa, no entanto, não comentou diretamente o temor de um ataque durante as gravações.

Filmado inteiramente em inglês e mantido sob forte sigilo, “Dark Horse” retrata a trajetória de Bolsonaro, incluindo o atentado sofrido durante a campanha presidencial.

Jim Caviezel permaneceu cerca de três meses no Brasil e participou das principais cenas antes de retornar aos Estados Unidos.

O projeto ainda não teve data de estreia confirmada.

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