Neymar deve ficar afastado dos gramados até a disputa da Copa do Mundo após ser diagnosticado com um edema na panturrilha direita.
O jogador sentiu dores durante a partida entre Santos e Coritiba, no último domingo (17), e agora seguirá tratamento no CT Rei Pelé com acompanhamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Apesar da preocupação com o calendário esportivo, médicos afirmam que a condição não representa risco a longo prazo.
O edema muscular é caracterizado pelo acúmulo de líquidos em uma região do corpo, provocando inchaço e inflamação. Em atletas, o problema costuma surgir após sobrecarga física, impactos diretos ou pequenas lesões nas fibras musculares.
Segundo o médico ortopedista e especialista em trauma esportivo Eduardo Ramalho, a condição está ligada a processos inflamatórios internos na musculatura.
“Nesses casos, há um processo inflamatório dentro da musculatura, geralmente causado por sobrecarga, trauma ou uma pequena lesão muscular”, detalha Eduardo Ramalho, médico ortopedista e especialista em trauma do esporte, em entrevista ao G1.
Edema na panturrilha é comum no futebol
Especialistas apontam que a panturrilha é uma das regiões mais exigidas no futebol por participar de movimentos intensos, como arrancadas, mudanças de direção e aceleração. Por isso, lesões e sobrecargas na área são recorrentes entre atletas profissionais.
Ramalho afirma que o termo “edema” nem sempre indica a gravidade exata do problema.
“Muitas vezes os clubes utilizam expressões como edema, desconforto ou sobrecarga antes de detalhar exatamente o grau da lesão”, analisa.
Entre as principais causas do edema muscular no esporte estão excesso de esforço, impactos físicos, execução inadequada de movimentos e retorno precoce após lesões anteriores.
No caso de Neymar, o histórico recente de problemas físicos também pode ter contribuído para o quadro atual.
“Ele vem de um período longo com histórico de lesões, cirurgias e afastamentos importantes. Quando um atleta passa muito tempo fora, existe perda de condicionamento muscular e redução da capacidade de absorver carga”, comenta.

Sintomas e tratamento do edema muscular
Os sintomas mais frequentes do edema muscular incluem dor localizada, sensação de endurecimento da musculatura, perda de potência e dificuldade para acelerar durante atividades físicas.
Em situações mais graves, o atleta pode apresentar dificuldade para apoiar o pé, limitação de movimentos e até hematomas na região afetada.
O tratamento varia conforme a intensidade da lesão, mas geralmente envolve repouso, aplicação de gelo e sessões de fisioterapia. O objetivo principal é controlar o inchaço e evitar agravamento do quadro.
“Nos casos mais leves, o foco inicial é controlar edema, reduzir inflamação e recuperar mobilidade. Depois entra uma fase progressiva de fortalecimento muscular e recondicionamento para corrida, aceleração e mudança de direção”, afirma Ramalho.
A expectativa é que Neymar permaneça à disposição do Santos até 26 de maio, embora a tendência seja de que ele não dispute mais partidas oficiais antes do Mundial.
“O mais importante é que o atleta não volte apenas sem dor, mas com capacidade muscular suficiente para suportar a intensidade do jogo.
A panturrilha é uma região com alto risco de nova lesão quando o retorno acontece cedo demais”, alerta o ortopedista.


