El Niño pode tornar 2027 o ano mais quente da história

Observatório Copernicus alerta para novos recordes de temperatura global e aquecimento dos oceanos

O fenômeno climático El Niño poderá levar 2027 a se tornar o ano mais quente já registrado no planeta, segundo alerta divulgado na última sexta-feira (8), pelo Observatório Copernicus, programa europeu de monitoramento climático.

A projeção considera o possível desenvolvimento do fenômeno nos próximos meses e seus impactos sobre as temperaturas globais e oceânicas.

De acordo com a climatologista Samantha Burgess, ligada ao instituto, “É provável que 2027 ultrapasse 2024 como o ano mais quente já registrado”.

Ela também afirmou que o aquecimento dos oceanos segue em alta e pode atingir um novo recorde ainda neste mês. “É apenas uma questão de dias”. 

O Copernicus destacou ainda que março costuma ser, em média, o mês mais quente para os oceanos em escala global.

Mesmo assim, as temperaturas marítimas seguem acima dos padrões históricos, reforçando os sinais de aquecimento contínuo.

O que é o El Niño?

O El Niño é uma fase natural do ciclo climático do Oceano Pacífico. O fenômeno normalmente começa durante a primavera do Hemisfério Norte e provoca alterações nas temperaturas, nos ventos e nos padrões climáticos em diferentes regiões do mundo nos meses seguintes.

Os efeitos variam conforme a localização. Em alguns países, como a Indonésia, o fenômeno costuma provocar períodos de seca intensa.

Já regiões como o Peru podem enfrentar chuvas torrenciais e enchentes.

O último episódio do El Niño ocorreu entre 2023 e 2024. Agora, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a possibilidade de um novo evento entre maio e julho está aumentando, enquanto o fenômeno oposto, a La Niña, apresenta enfraquecimento gradual.

As previsões são feitas a partir do monitoramento das temperaturas em áreas específicas do Oceano Pacífico. Apesar disso, os impactos mais significativos sobre a temperatura média global geralmente aparecem no ano seguinte ao início do fenômeno.

Oceanos e eventos extremos preocupam cientistas

Além da previsão relacionada ao El Niño, o boletim mensal do Copernicus aponta sinais preocupantes em outras áreas do sistema climático global.

O observatório informou que o gelo marinho do Ártico apresentou baixa recuperação durante o inverno no Hemisfério Norte, permanecendo próximo dos menores níveis já registrados.

Os dados também mostram que abril de 2026 ficou em terceiro lugar entre os “abrils” mais quentes da história quando considerados oceanos e continentes em conjunto.

O mês foi marcado ainda por diversos eventos climáticos extremos em diferentes partes do planeta. Entre eles estão ciclones tropicais no Pacífico, enchentes severas no Oriente Médio e na Ásia, além de secas em áreas do sul da África.

Especialistas alertam que o aumento contínuo das temperaturas globais amplia a frequência e a intensidade desses fenômenos, elevando os impactos ambientais, econômicos e sociais em várias regiões do mundo.

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