O filme Parthenope: Os Amores de Nápoles acaba de chegar ao catálogo do Filmelier+, disponível via Prime Video, ampliando o acesso do público brasileiro a uma das obras mais recentes do diretor italiano Paolo Sorrentino.
A produção, que passou pelo Festival de Cannes, aposta em uma narrativa contemplativa para acompanhar a trajetória de uma mulher ao longo de décadas.
O longa é centrado em Parthenope, personagem interpretada por Celeste Dalla Porta, e acompanha sua vida desde a juventude até a maturidade, sempre tendo Nápoles como pano de fundo, não apenas como cenário, mas como extensão simbólica da própria protagonista.
Ao longo de mais de duas horas, o filme constrói uma narrativa que atravessa diferentes fases da vida da personagem, explorando suas relações afetivas, conflitos internos e o impacto das escolhas que moldam sua trajetória.
Parthenope é apresentada como uma figura magnética, cuja beleza e presença despertam fascínio e tensão nas relações que estabelece. Mas, por trás dessa imagem, o roteiro se concentra em uma busca mais profunda: entender quem ela é e o que significa existir em um lugar carregado de história e contradições.
A estrutura acompanha décadas de transformações pessoais e sociais, refletindo também mudanças na própria cidade italiana, em um movimento que aproxima personagem e território.
Como em outros trabalhos de Sorrentino, a estética ocupa papel central. O diretor constrói um filme marcado por:
- Imagens altamente estilizadas e contemplativas
- Narrativa não linear e fragmentada
- Uso simbólico da cidade como extensão emocional
Mais do que uma trama convencional, o longa se aproxima de uma experiência sensorial, em que a imagem, o ritmo e o silêncio carregam tanto peso quanto os diálogos.
Essa abordagem pode afastar quem busca uma história mais direta, mas tende a atrair espectadores interessados em um cinema mais autoral.
Além de Celeste Dalla Porta no papel principal, o elenco conta com nomes como Gary Oldman e Stefania Sandrelli. O filme é uma coprodução entre Itália e França e foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes de 2024, onde concorreu à Palma de Ouro.
“Parthenope” não é um filme de ritmo acelerado nem de resolução fácil. É uma obra que exige atenção e disposição para absorver nuances, tanto visuais quanto narrativas.
Funciona melhor para quem busca:
- Histórias sobre amadurecimento e memória
- Cinema contemplativo e autoral
- Narrativas que exploram subjetividade e identidade
Com a chegada ao streaming, o filme ganha uma segunda vida fora do circuito de festivais e salas de cinema.
É uma oportunidade para conhecer um trabalho que dialoga diretamente com temas como beleza, passagem do tempo e construção de identidade, sem pressa e sem concessões ao formato mais comercial.


