Criador de The Boys diz que postagem de Trump “arruinou” piada da série

Segundo o showrunner, imagem gerada por IA com Trump como figura divina antecipou ideia central da nova temporada

O criador de The Boys, Eric Kripke, afirmou que uma publicação recente de Donald Trump acabou “arruinando” uma das piadas mais provocativas planejadas para a nova temporada da série.

A declaração foi feita após Trump divulgar nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece retratado como uma figura divina. Segundo Kripke, a postagem ocorreu poucos dias antes da exibição de um episódio que traz uma proposta semelhante envolvendo o personagem Capitão Pátria, conhecido como Homelander.

De acordo com o showrunner, a equipe de roteiro discutia como apresentar ao público a ideia de o personagem se enxergar como um “Deus”. Na avaliação dele, o conceito já parecia extremo dentro do universo da série.

“Um mês atrás, achávamos que isso poderia ser exagerado demais. Precisávamos tomar cuidado para não ultrapassar o limite”, afirmou Kripke.

A situação mudou rapidamente quando a publicação de Trump veio a público. Segundo ele, o timing acabou esvaziando o impacto da cena planejada.

Kripke destacou que a postagem aconteceu cerca de 48 horas antes da exibição do episódio, o que, na prática, tornou a piada menos eficaz.

Para o criador, o episódio ilustra um desafio crescente para produções satíricas: competir com acontecimentos reais que, muitas vezes, parecem ainda mais absurdos.

“É difícil superar a sátira do mundo real”, disse, em tom de frustração.

Não é a primeira vez que Kripke associa o universo da série ao cenário político contemporâneo. Em entrevistas anteriores, ele já afirmou que o Capitão Pátria foi construído como uma espécie de paralelo com figuras de poder e liderança, incluindo o próprio Trump.

A série é conhecida por explorar temas como culto à personalidade, manipulação de massas e uso de poder político e midiático, frequentemente com linguagem provocativa e exagerada.

Segundo Kripke, a equipe também discutia como utilizar essa ideia na estratégia de divulgação da temporada. A antecipação involuntária do conceito, no entanto, acabou alterando a percepção do público.

O episódio levanta uma questão recorrente no entretenimento atual: até que ponto a ficção consegue exagerar quando a realidade já opera em níveis extremos de simbolismo e narrativa.

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