O governo federal lançou nesta segunda-feira (4) o Desenrola Brasil 2.0, nova versão do programa de renegociação de dívidas criado em 2023. A iniciativa busca reduzir o nível de inadimplência no país e facilitar o acesso ao crédito para famílias endividadas.
A nova fase amplia o alcance do programa e permite renegociar débitos de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e financiamento estudantil (Fies), com condições mais flexíveis de pagamento.
Entre os principais atrativos estão juros limitados a até 1,99% ao mês e descontos que podem chegar a 90% do valor da dívida, além de prazos mais longos para quitação.
Quem pode participar do Desenrola Brasil 2.0
O programa é voltado a pessoas físicas com renda mensal de até R$ 8.105 (equivalente a 5 salários mínimos). Também inclui estudantes com dívidas do Fies e, em etapas futuras, deve alcançar pequenos negócios e trabalhadores informais.
As dívidas elegíveis precisam:
- Ter sido contratadas até 31 de janeiro de 2026
- Estar em atraso entre 90 dias e 2 anos
- Ter valor renegociado de até R$ 15 mil por CPF, por banco
A expectativa do governo é renegociar até R$ 58 bilhões em débitos.
O Desenrola Brasil 2.0 combina redução de valores com facilitação do pagamento. Entre as regras:
- Descontos de 30% a 90%
- Parcelamento em até 48 meses
- Carência de até 35 dias para começar a pagar
- Nome retirado de cadastros de inadimplência após acordo
Além disso, dívidas de até R$ 100 terão o nome do consumidor retirado automaticamente dos registros negativos.
Um dos pilares da nova versão é a possibilidade de usar parte do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar débitos.
O trabalhador poderá utilizar:
- Até 20% do saldo do fundo
- Ou até R$ 1.000, o que for maior
O valor será transferido diretamente entre instituições financeiras, garantindo que o recurso seja usado exclusivamente para pagamento da dívida.
Segundo o Ministério do Trabalho, o impacto estimado no fundo é de R$ 4,5 bilhões, dentro de um limite de até R$ 8 bilhões.
A medida, no entanto, gera críticas de especialistas e do setor imobiliário, que apontam possível impacto na finalidade original do fundo, especialmente no financiamento habitacional.
Outra medida que chama atenção é a restrição ao uso de plataformas de apostas online. Quem aderir ao programa terá o CPF bloqueado em sites de bets por 12 meses.
A decisão, segundo o governo, busca evitar que beneficiários voltem a se endividar durante o período de reorganização financeira.
Instituições financeiras como Itaú Unibanco, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal já confirmaram adesão ao programa.
Apesar disso, a maioria ainda ajusta sistemas internos para iniciar efetivamente as renegociações. O acesso será feito pelos canais oficiais das instituições, como aplicativos, sites e agências.
O lançamento ocorre em um momento de forte pressão sobre o orçamento das famílias. Dados do Banco Central indicam que o endividamento chegou a 49,9% da renda, o maior nível da série histórica iniciada em 2005.
O comprometimento da renda com dívidas também atingiu recorde, chegando a 29,7%.
Nesse cenário, o Desenrola 2.0 surge como tentativa de reorganizar as finanças das famílias e estimular a retomada do crédito.


