Chefe do contraterrorismo dos EUA renuncia e critica guerra contra o Irã

Ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo acusa influência externa e questiona justificativas para conflito

A renúncia de Joe Kent, chefe do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, foi anunciada nesta terça-feira (17) com críticas diretas à condução da política externa do governo de Donald Trump em relação ao Irã.

No comunicado, Kent afirmou que não pode apoiar a guerra em curso e declarou que o Irã não representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos. A saída ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio.

“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”, escreveu. “O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação.”

Na carta de renúncia, Kent também atribuiu o início do conflito à pressão de aliados internacionais e setores políticos nos Estados Unidos.

Segundo ele, houve uma campanha de desinformação que influenciou decisões estratégicas da atual administração.

O ex-diretor afirmou ainda que a narrativa sobre uma ameaça iminente teria sido construída de forma equivocada, comparando a situação ao contexto que antecedeu a guerra do Iraque.

“Essa foi a mesma tática usada para nos levar à guerra do Iraque”, escreveu.

Kent também declarou que o país não deveria repetir erros do passado envolvendo conflitos prolongados no Oriente Médio.

Apesar das críticas, Kent destacou que apoiava diretrizes anteriores da política externa defendida por Trump, especialmente no que se refere à evitação de guerras prolongadas.

Na carta, ele afirmou que decisões recentes teriam se afastado da plataforma conhecida como “America First”, associada ao atual presidente.

O ex-diretor pediu uma revisão de rumo e defendeu uma abordagem mais cautelosa em relação ao uso da força militar.

Quem é Joe Kent?

A renúncia de Joe Kent ocorre após menos de um ano no comando do órgão. Ele foi confirmado para o cargo em julho de 2025, por 52 votos a 44 no Senado, em uma votação marcada por divisão política.

Kent é veterano das Forças Armadas dos EUA, com participação em 11 missões como integrante das forças especiais conhecidas como Boinas Verdes. Posteriormente, também atuou na CIA.

Antes de assumir o posto, ele tentou, sem sucesso, se eleger para o Congresso pelo estado de Washington em 2022.

Sua nomeação enfrentou resistência, especialmente entre parlamentares democratas, devido a ligações anteriores com figuras da extrema-direita e controvérsias envolvendo consultorias políticas.

Entre os pontos levantados na época estavam:

  • Contratação de consultor ligado ao grupo Proud Boys

  • Relação com o movimento Patriot Prayer

  • Apoio de figuras associadas a teorias da conspiração

Kent também mencionou aspectos pessoais ao justificar sua decisão. Ele destacou sua experiência militar e a perda da esposa, que morreu em 2019, durante uma missão na Síria.

Segundo ele, esses fatores influenciaram sua posição contrária ao envio de tropas para novos conflitos.

“Não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz benefício ao povo americano”, afirmou.

A saída de Kent ocorre em um momento sensível da política externa dos Estados Unidos e pode intensificar o debate interno sobre a atuação do país no Oriente Médio.

Até o momento, o governo não detalhou quem assumirá o comando do Centro Nacional de Contraterrorismo após a renúncia.

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