Desde o início do ano passado, publicações nas redes sociais têm utilizado um dado específico sobre o gelo na Antártida para questionar o aquecimento global.
O argumento se baseia em um estudo que registrou aumento da massa de gelo entre 2021 e 2023, mas ignora a tendência de longo prazo, que aponta para perda contínua desde 2002.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Tongji, na China, analisou dados dos satélites GRACE e GRACE Follow-On, da NASA, e foi publicada em março de 2025.
O levantamento mostrou que, após uma década de perdas significativas, houve um ganho temporário de massa no período recente.
No entanto, o próprio estudo indica que, entre 2002 e 2023, a Antártida perdeu em média 111,13 bilhões de toneladas de gelo por ano.
O que mostram os dados completos
Segundo os pesquisadores, a Antártida:
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Perdeu, entre 2010 e 2020, cerca de 142 gigatoneladas por ano
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Registrou ganho médio de 108 gigatoneladas por ano entre 2021 e 2023
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Voltou a apresentar níveis semelhantes aos de 2020 em 2024, segundo dados mais recentes
Especialistas afirmam que o aumento observado está relacionado a precipitações anormais, como eventos intensos de neve no leste do continente e na Península Antártica.
Yunzhong Shen, um dos autores do estudo, declarou que o ganho ocorreu em uma escala de tempo muito curta para ser considerado uma reversão da tendência de degelo.
A utilização isolada do dado positivo é apontada por cientistas como um exemplo de “cherry-picking”, termo usado para descrever a seleção parcial de informações que sustentam uma tese, enquanto se ignoram dados mais amplos.
Gráficos oficiais da NASA mostram que, apesar de oscilações anuais, a curva da massa de gelo da Antártida apresenta trajetória descendente desde 2002.
A agência espacial informa que:
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As camadas de gelo da Antártida e da Groenlândia estão em declínio
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O degelo é responsável por cerca de 1/3 do aumento global do nível do mar desde 1993
O derretimento do gelo antártico é um dos principais fatores de elevação dos oceanos. A Antártida contém quantidade de água doce suficiente para elevar o nível do mar em dezenas de metros, caso houvesse degelo total.
Pesquisadores alertam que:
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Grande parte da perda ocorre nas geleiras em contato com o oceano
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O aquecimento das águas polares acelera o processo
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Eventos pontuais de neve não anulam o efeito do aquecimento oceânico
Cientistas também destacam que o interior do continente responde de forma diferente às mudanças climáticas, enquanto regiões costeiras e a Antártida Ocidental apresentam maior vulnerabilidade.
Especialistas reforçam que análises climáticas devem considerar séries históricas extensas, e não apenas períodos curtos.
Embora o aumento entre 2021 e 2023 tenha compensado cerca de 0,3 milímetro por ano na elevação do nível do mar naquele intervalo, isso não altera o cenário acumulado de perdas.
Relatórios recentes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) indicam que os oceanos continuam a aquecer e que as calotas polares permanecem sensíveis ao aumento das temperaturas globais.
O consenso científico atual aponta que o aquecimento global, impulsionado principalmente pela emissão de gases de efeito estufa, segue influenciando o comportamento das massas de gelo no planeta.


