O cenário do consumo audiovisual no Brasil está em transformação acelerada. Dados publicados pelo Kantar Ibope Media indicam que o streaming supera TV aberta em ritmo de crescimento e pode ultrapassar a televisão linear gratuita já no próximo ciclo anual.
Em janeiro de 2025, a TV aberta concentrava 57,9% do share de audiência. Em janeiro de 2026, o índice caiu para 53,9%, um recuo de 4 pontos percentuais, equivalente a 6,91% de queda no período de 12 meses.
No mesmo intervalo, o consumo via internet (que inclui plataformas de streaming e vídeo sob demanda) avançou de 33,9% para 39,4%, crescimento de 5,5 pontos percentuais ou 16,22%.
Em 2025, a distância entre TV aberta e consumo on-line era de 24 pontos percentuais. Em 2026, caiu para 14,5 pontos.
Em apenas 1 ano, o streaming reduziu quase 10 pontos percentuais da diferença em relação à televisão tradicional.
O movimento sugere que, mantida a tendência atual, o consumo audiovisual pela internet deve superar a TV aberta gratuita no Brasil em curto prazo.
O avanço do streaming reforça uma tendência já observada nos últimos anos:
Consumo sob demanda, sem grade fixa
Liberdade de horário
Acesso em múltiplas telas, como smartphones, tablets e smart TVs
Preferência por catálogo personalizado
Enquanto isso, a TV aberta enfrenta desafios como fragmentação de audiência, envelhecimento do público tradicional e concorrência direta de plataformas digitais.
A migração de audiência impacta diretamente o mercado publicitário e o modelo de negócios das emissoras. A queda de share da TV aberta não significa desaparecimento imediato, mas aponta para uma reorganização do ecossistema audiovisual.
Especialistas avaliam que o cenário atual não representa o fim da televisão linear, mas sim uma redistribuição do consumo entre diferentes formatos e plataformas.
Se o ritmo de crescimento do streaming for mantido, 2026 pode marcar um ponto simbólico na história da mídia brasileira: o momento em que o consumo digital ultrapassa definitivamente a televisão aberta.



