Pepsi x Coca-cola: fãs brasileiros usam IA para defender o guaraná

Vídeos criados por fãs ampliam a disputa entre Pepsi e Coca-Cola e mostram como a publicidade agora compete com a cultura digital

A guerra Pepsi x Coca-cola entre as gigantes do setor de bebidas ganhou um novo capítulo fora dos intervalos comerciais tradicionais.

Após a divulgação de uma campanha milionária da Pepsi para o Super Bowl, fãs passaram a criar vídeos gerados por inteligência artificial para responder à marca concorrente.

Entre essas criações, um vídeo brasileiro chamou atenção ao colocar o clássico urso polar da Coca-Cola em uma viagem pelo Brasil, com direito a contato direto com o guaraná.

O comercial oficial da Pepsi vai ao ar no Super Bowl, no dia 8 de fevereiro, considerado o espaço publicitário mais disputado e caro da televisão americana.

Enquanto isso, fora da tela, uma onda de conteúdos criados por fãs, muitos deles com uso de ferramentas de IA generativa, já circula nas redes sociais, ampliando o alcance da campanha e gerando mídia espontânea sem custo adicional direto para a marca.

Esse movimento evidencia uma mudança estrutural no marketing contemporâneo. Marcas não competem apenas entre si, mas com a criatividade distribuída da internet.

Conteúdos feitos por fãs remixam campanhas oficiais, adicionam camadas culturais locais e transformam peças publicitárias em matéria-prima para novas narrativas.

No caso do vídeo brasileiro, o destaque vai para o Guaraná Antarctica, símbolo do consumo nacional.

O refrigerante domina mais de um terço do mercado de refrigerantes no Brasil, segundo dados de mercado amplamente divulgados pelo setor, e se tornou item quase obrigatório para estrangeiros que querem experimentar o chamado “sabor do país”.

Ao inserir o urso da Coca-Cola em cenários brasileiros e colocá-lo em contato com o guaraná, o vídeo não apenas responde à campanha da Pepsi, mas reivindica território cultural.

A disputa deixa de ser apenas sobre produto ou investimento publicitário e passa a envolver identidade, repertório e pertencimento.

Especialistas em comunicação apontam que esse tipo de engajamento espontâneo reforça o valor simbólico das marcas, mesmo quando não há controle direto sobre a narrativa.

Em um ambiente onde IA facilita a criação e acelera a circulação de conteúdos, a comunidade passa a atuar como extensão informal das estratégias de marketing.

No fim, a atual guerra de marcas revela que a disputa não acontece apenas nos intervalos do Super Bowl ou nos orçamentos milionários.

Ela se trava na imaginação coletiva, no remix cultural e na capacidade de mobilizar fãs como cocriadores. Nesse cenário, o sabor que prevalece é o da cultura compartilhada.

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