A NASA anunciou nesta terça-feira (3) o adiamento do lançamento da missão Artemis II para, no mínimo, o mês de março.
A decisão foi tomada após a identificação de um vazamento de hidrogênio líquido durante um teste de abastecimento do foguete que seria lançado ainda nesta semana.
De acordo com a agência espacial norte-americana, o problema ocorreu em uma conexão responsável por conduzir o combustível até o estágio central do foguete.
O vazamento foi detectado durante um ensaio que simula todas as etapas do lançamento, incluindo o abastecimento completo do veículo.
Com a mudança no cronograma, a NASA informou que os quatro astronautas da missão serão liberados da quarentena, iniciada em 21 de janeiro, seguindo os protocolos de saúde estabelecidos para o voo.
“A NASA agora prevê que março será a data de lançamento mais próxima possível para o teste de voo”, informou a agência, sem divulgar um dia específico.
Segundo a NASA, um novo ensaio completo deverá ser realizado antes de qualquer nova tentativa de decolagem dentro da janela prevista para março.
Artemis II será a primeira missão tripulada do programa
A Artemis II é a segunda missão do programa Artemis e a primeira com tripulação a bordo.
O voo terá duração aproximada de 10 dias e levará três astronautas dos Estados Unidos e um do Canadá para um sobrevoo ao redor da Lua.
Durante a missão, a tripulação alcançará a maior distância já percorrida por seres humanos no espaço, superando marcas estabelecidas durante o programa Apollo.
Além do vazamento de hidrogênio, a agência informou que o teste também apontou falhas intermitentes no áudio das comunicações em solo e um tempo maior que o esperado para o fechamento da cápsula Orion, onde os astronautas permanecerão durante o voo.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que situações como essas são consideradas dentro do planejamento.
“Esse tipo de problema já era esperado, considerando o intervalo de mais de três anos desde o último lançamento do foguete SLS.”
Segundo ele, os testes servem justamente para identificar e corrigir falhas antes da missão tripulada.

Programa Artemis mira retorno humano à Lua
O programa Artemis é liderado pela NASA e tem como objetivo levar novamente seres humanos à superfície lunar.
O nome faz referência à deusa grega Artemis, irmã gêmea de Apolo, figura que batizou as missões históricas de pouso na Lua nas décadas de 1960 e 1970.
A primeira missão do programa, Artemis I, ocorreu em novembro de 2022 e foi não tripulada.
Já a Artemis II permitirá testar todos os sistemas da cápsula Orion com astronautas a bordo, embora não haja pouso lunar nesta etapa.
A terceira missão, Artemis III, está prevista para ocorrer não antes de 2027 ou 2028 e deverá marcar o primeiro pouso humano na Lua desde 1972, desta vez na região do polo sul lunar, ainda inexplorada por humanos.
Foguete SLS e cápsula Orion
A missão utilizará o Space Launch System (SLS), considerado pela NASA seu foguete mais poderoso. Com cerca de 98 metros de altura, o SLS gera aproximadamente 4 milhões de quilos de empuxo, equivalente à força de 14 aviões Boeing 747.
No topo do foguete está a cápsula Orion, projetada para missões de espaço profundo.
O módulo da tripulação comporta até quatro astronautas e conta com sistemas avançados de suporte à vida, controle térmico e energia elétrica.
Um dos principais componentes da nave é o Módulo de Serviço Europeu, desenvolvido pela Agência Espacial Europeia em parceria com a Airbus, responsável por fornecer energia, propulsão, água e gases respiráveis durante a missão.
Quem são os astronautas da Artemis II?
A tripulação da Artemis II é composta por três homens e uma mulher, incluindo o primeiro canadense a participar de uma missão lunar e o primeiro homem negro em um voo ao redor da Lua.
Os astronautas são:
Victor Glover – piloto; aviador naval e veterano de caminhadas espaciais;
- Jeremy R. Hansen – especialista de missão; coronel da Força Aérea Real Canadense e novato em voos espaciais;
Christina Hammock Koch – especialista de missão; engenheira e recordista de voo espacial contínuo feminino;
Reid Wiseman – comandante; ex-piloto de caça da Marinha dos EUA; Victor Glover – piloto; aviador naval e veterano de caminhadas espaciais.
Confira foto dos quatro astronautas que vão para a lua:

Como será o voo da Artemis II?
A missão terá início no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, nos EUA.
Após a decolagem, a Orion permanecerá cerca de um dia em órbita da Terra, período dedicado à checagem de sistemas e a testes de controle manual da cápsula.
Na aproximação com a Lua, a nave passará entre 6.400 e 9.600 quilômetros da superfície lunar.
Um dos momentos mais aguardados será a passagem pelo lado oculto da Lua, quando a tripulação ficará sem comunicação com a Terra por até 50 minutos.
Após contornar o satélite, a Orion seguirá cerca de 7.500 quilômetros além da Lua, atingindo o ponto mais distante já alcançado por humanos.
No retorno, a cápsula fará uma reentrada atmosférica a cerca de 40 mil km/h, antes de amerissar no Oceano Pacífico.
Contexto internacional e próximos passos
A Artemis II também tem peso estratégico e diplomático. O programa envolve parcerias internacionais, como Canadá, Europa, Japão e Emirados Árabes Unidos, além de ocorrer em um cenário de competição espacial crescente, especialmente com os planos lunares da China.
Além da Artemis II, a NASA prevê novas missões tripuladas, incluindo a Artemis III e a Artemis IV, que devem iniciar a construção da estação espacial lunar Gateway e abrir caminho para uma presença humana contínua na Lua.
O objetivo de longo prazo é usar o satélite natural como base para futuras missões tripuladas a Marte, ampliando a exploração do espaço profundo nas próximas décadas.



