Lula envia acordo Mercosul–União Europeia ao Congresso e cobra aprovação rápida

Tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e passa a tramitar no Legislativo brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou e encaminhou ao Congresso Nacional, nesta segunda-feira (2), o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, dando início à tramitação legislativa do tratado no Brasil.

O envio ocorreu no primeiro dia do ano legislativo e foi confirmado pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

O despacho presidencial comunicando o envio do texto foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União na noite do mesmo dia.

A expectativa do governo é que o Parlamento aprove a medida ainda no primeiro semestre de 2026, como forma de acelerar a entrada em vigor do acordo.

Também nesta segunda-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que o acordo será tratado como prioridade. Segundo ele, a intenção é dar celeridade ao processo legislativo assim que o texto chegar formalmente à Casa.

A estratégia do Palácio do Planalto é usar a aprovação brasileira como sinal político para pressionar a União Europeia a avançar na ratificação do tratado, que enfrenta resistências internas no bloco europeu.

O que muda com o acordo Mercosul–UE

Quando começar a valer, o acordo criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 780 milhões de consumidores e abrangendo aproximadamente 25% do PIB global.

Entre os principais pontos do tratado estão:

  • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos produtos comercializados entre os blocos

  • Abertura do mercado do Mercosul para produtos industriais europeus, como:

    • automóveis e autopeças

    • máquinas e equipamentos

    • medicamentos

    • bebidas

  • Ampliação do acesso do Mercosul ao mercado europeu para produtos agropecuários, incluindo:

    • carne

    • açúcar

    • etanol

    • suco de laranja

    • soja

Apesar do avanço no Brasil, o acordo ainda enfrenta obstáculos fora do país. Após mais de 25 anos de negociações, o tratado foi assinado em 17 de janeiro, no Paraguai, por representantes dos dois blocos.

Quatro dias depois, no entanto, o Parlamento Europeu decidiu submeter o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar a análise jurídica por até 2 anos.

Além disso, o acordo precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais de todos os países europeus, o que amplia o risco de novos bloqueios políticos.

Setores agrícolas europeus seguem entre os principais opositores, alegando que a entrada de produtos sul-americanos pode gerar concorrência considerada desleal.

Diante desse cenário, o governo brasileiro aposta em aprovar rapidamente o acordo no Congresso como forma de fortalecer sua posição diplomática e antecipar, ainda que parcialmente, a aplicação das novas regras comerciais.

A avaliação interna é que a tramitação célere no Brasil pode ajudar a destravar negociações paralelas e reduzir resistências no bloco europeu.

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