As canetas emagrecedoras começaram a alterar de forma concreta o padrão de consumo nos supermercados brasileiros. O fenômeno tem sido chamado de “efeito Ozempic no consumo”.
A avaliação é de Assaí Atacadista, por meio de seu CEO, Belmiro Gomes, que afirma que os efeitos iniciais (antes concentrados em doces e bebidas alcoólicas) já avançam sobre alimentos básicos, como arroz, massas e farinhas.
Segundo Gomes, o movimento está diretamente ligado à popularização dos medicamentos à base de GLP-1, usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Esses fármacos reduzem o apetite, prolongam a saciedade e, em muitos casos, provocam aversão a alimentos ricos em carboidratos simples.
Efeito Ozempic no consumo
De acordo com o executivo, após uma redução perceptível nas vendas de bebidas alcoólicas e doces, o impacto chegou a categorias consideradas essenciais no carrinho do brasileiro.
Entre os principais movimentos observados:
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Queda no consumo de arroz, massas e farinhas
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Redução de snacks ultraprocessados e produtos calóricos
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Aumento consistente na demanda por proteínas, como carnes, ovos, iogurtes e produtos proteicos
O crescimento do consumo de proteínas está associado à tentativa dos usuários desses medicamentos de preservar ou ganhar massa muscular, uma recomendação frequente de médicos e nutricionistas durante o tratamento.
Belmiro Gomes avalia que esse movimento ainda está em fase inicial, mas deve se intensificar a partir de março de 2026, quando está prevista a quebra da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.
Com o fim da exclusividade, fabricantes nacionais devem lançar versões genéricas, o que tende a:
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Reduzir preços dos medicamentos
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Ampliar o acesso a camadas mais amplas da população
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Aumentar a base de usuários de GLP-1 no país
“Isso exige atenção de toda a cadeia de alimentos”, avalia Gomes, ao destacar que mudanças no comportamento alimentar deixam de ser tendência e passam a ser variável estrutural de planejamento para o varejo.
Especialistas apontam que os impactos dos medicamentos GLP-1 não se restringem ao varejo alimentar.
O chamado “efeito Ozempic” já é observado em outros países, como os Estados Unidos, onde redes como o Walmart identificaram queda no número de calorias compradas por cliente em regiões com maior concentração de usuários.
No Brasil, o fenômeno ainda convive com limitações de preço e acesso, mas o cenário pode mudar rapidamente com a entrada de genéricos e a chegada de novos medicamentos, como o Mounjaro, da Eli Lilly.
Para o setor supermercadista, a leitura predominante é que o impacto tende a ser neutro no faturamento agregado, já que a redução em categorias tradicionais pode ser compensada por maior venda de alimentos frescos, proteínas e produtos de maior valor agregado.
A avaliação do Assaí reforça uma percepção crescente no mercado: os medicamentos para emagrecimento não apenas reduzem o apetite, mas reconfiguram o gosto do consumidor.
Menos volume, mais seletividade e maior foco em qualidade passam a orientar o carrinho de compras.
Com a ampliação do acesso a partir de 2026, essa mudança tende a deixar de ser pontual para se tornar um novo padrão de consumo, exigindo adaptações rápidas da indústria e do varejo.


