Chefe de cibersegurança dos EUA usou ChatGPT para enviar documentos internos, aponta site

Segundo reportagem, Madhu Gottumukkala teria feito uploads de arquivos sensíveis da CISA em plataforma de IA, apesar de restrições internas

O chefe interino de cibersegurança do governo de Donald Trump, Madhu Gottumukkala, teria compartilhado documentos internos do governo dos Estados Unidos com o ChatGPT, segundo apuração publicada pelo site americano Politico na terça-feira (27).

De acordo com a reportagem, os arquivos pertenciam à Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) e estavam identificados como materiais de uso restrito, destinados apenas a servidores autorizados.

O uso do ChatGPT, inclusive, era expressamente proibido nas redes vinculadas à agência.

Uso de IA ocorreu apesar de restrições internas

Fontes ouvidas pelo Politico indicam que Gottumukkala conseguiu abrir uma exceção para utilizar a ferramenta de inteligência artificial no início de sua atuação como diretor interino da CISA. A autorização teria permitido o acesso à plataforma, mesmo diante de orientações contrárias já existentes dentro do órgão.

Paralelamente, a própria gestão de Gottumukkala foi marcada pela ativação de sistemas automáticos de alerta de segurança, desenvolvidos justamente para evitar o vazamento ou a exposição indevida de informações provenientes de redes federais.

Uploads acionaram alertas de segurança

Segundo a apuração, os uploads de documentos confidenciais acabaram acionando esses mesmos mecanismos de proteção.

Entre os materiais enviados estavam contratos e arquivos classificados como “somente para uso oficial”, categoria aplicada a dados sensíveis que não devem ser tornados públicos.

Os registros teriam sido identificados em agosto do ano passado. A partir disso, altos funcionários do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, ao qual a CISA é subordinada, iniciaram uma revisão interna para analisar eventuais impactos à segurança do governo.

Até o momento, não há informações públicas sobre a conclusão desse processo.

ChatGPT
Foto: Shutterstock

Risco envolve uso de versões públicas de IA

Especialistas apontam que o envio de documentos governamentais internos, ainda que não classificados, para versões públicas de grandes modelos de linguagem pode representar um risco.

Isso porque esse tipo de material pode ser compartilhado com a empresa responsável pela ferramenta e potencialmente utilizado para treinar o sistema, abrindo a possibilidade de que informações sensíveis influenciem respostas a outros usuários.

Sobre o caso, um porta-voz da CISA afirmou ao Politico que o uso do ChatGPT por Gottumukkala foi “de curto prazo e limitado”.

Histórico profissional e contexto

Antes de assumir a função interina na CISA, Gottumukkala atuou como diretor de tecnologia da informação do estado de Dakota do Sul, durante o mandato da então governadora Kristi Noem.

O episódio se soma a outros registros de sua gestão que envolveram debates internos sobre práticas de segurança da informação e o uso de ferramentas de inteligência artificial em ambientes governamentais, conforme relatado pelo site norte-americano.

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