MP investiga suposta eutanásia indevida de animais em abrigo de Joinville

Promotoria pediu relatório detalhado de eutanásias desde 2023; prefeitura afirma que procedimento é última alternativa

O Ministério Público de Santa Catarina abriu uma notícia de fato para apurar denúncia de que o Centro de Bem-Estar Animal (CBEA) de Joinville estaria realizando eutanásia em animais acolhidos com o objetivo de “liberar baias”, diante da superlotação. Joinville é a cidade mais populosa do estado.

Em ofício, o promotor Ricardo Paladino solicitou à Secretaria de Meio Ambiente de Joinville um relatório em 15 dias com:

  • Lista de todos os animais eutanasiados pelo CBEA/Clinicão desde outubro de 2023;

  • Ficha completa de atendimento do cão Daniel;

  • Justificativa técnica para a eutanásia do animal.

A notícia de fato, registrada em 23 de janeiro, anexou relato de uma mulher que afirma ter trabalhado no local. Segundo ela, diversas eutanásias teriam sido realizadas fora dos critérios recomendados, tendo como motivação a liberação de espaço.

O relato cita o caso do cachorro Daniel, supostamente eutanasiado por um episódio de agressividade ocorrido há mais de um ano.

A denunciante afirma que o episódio decorreu de abordagem inadequada e que, ao longo de um mês, ganhou a confiança do animal, sem qualquer tentativa de ataque.

“Daniel permitia manipulação completa, deitava no meu colo e chegava a sair da baia para o solário. Após minha saída, não houve continuidade do trabalho, nem adestrador ou tentativa real de reabilitação ou adoção”, escreveu.

Em nota, a prefeitura de Joinville informou que todas as 130 vagas do CBEA estão ocupadas, mas que mantém contratações e convênios com ONGs e associações para ampliar a capacidade.

Disse ainda que a eutanásia é utilizada apenas como última alternativa, sob responsabilidade de veterinários qualificados.

A reportagem do g1 procurou a Polícia Civil, mas não obteve retorno até a última atualização.

Com o recebimento do relatório solicitado, o MPSC avaliará se houve descumprimento de critérios técnicos e eventuais responsabilidades administrativas, cíveis ou penais. A apuração segue em curso.

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