O presidente da China, Xi Jinping, afirmou nesta sexta-feira (23) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que Pequim apoiará o Brasil e os países do Sul Global em meio ao que classificou como um cenário internacional instável. A informação foi divulgada pela Xinhua, agência de notícias estatal chinesa.
De acordo com a publicação, Xi também defendeu que China e Brasil atuem juntos para manter o papel das Nações Unidas e proteger interesses comuns de países em desenvolvimento.
China e Brasil falam em interesses comuns do Sul Global
Segundo a Xinhua, Xi declarou que as duas nações devem salvaguardar os interesses compartilhados do Sul Global e, ao mesmo tempo, manter conjuntamente o papel da ONU na “atual conjuntura internacional turbulenta”.
Os comentários ocorreram durante uma conversa telefônica entre os dois presidentes.
Declarações vêm após críticas de Lula a ação dos EUA na Venezuela
Ainda segundo o relato divulgado, a conversa acontece após Lula publicar nesta semana um artigo de opinião no “The New York Times” criticando o ataque dos Estados Unidos à Venezuela.
No texto, o presidente brasileiro defendeu que o destino do país deve ser decidido internamente:
“Em seu artigo de 18 de janeiro, Lula escreveu que o futuro da Venezuela, e de qualquer outro país, deve permanecer nas mãos de seu povo.”
Lula também afirmou:
“Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora as forças americanas já tenham intervido na região anteriormente”, afirmou.
E concluiu:
“É crucial que os líderes das grandes potências entendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável.
Por mais fortes que essas potências sejam, elas não podem se basear simplesmente no medo e na coerção”, concluiu Lula.

Operação dos EUA aumenta preocupações na América Latina, diz texto
O episódio envolvendo a Venezuela também gerou reações e ampliou discussões sobre segurança regional.
O material aponta que a operação americana aumentou preocupações entre países latino-americanos diante do risco de ações semelhantes em seus territórios e provocou críticas das Nações Unidas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou ao programa Today, da BBC Radio 4, que os Estados Unidos teriam agido com impunidade e que princípios fundadores da organização estariam sob ameaça.
Ele mencionou, entre eles, a igualdade entre os Estados-membros.
Trump e a Groenlândia: tensão com aliados do outro lado do Atlântico
O texto também relaciona o momento internacional a outras frentes de tensão envolvendo o governo Trump.
A ameaça de usar força para anexar a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca, teria aberto uma brecha com aliados de segurança do outro lado do Atlântico.
China busca manter influência na América Latina e no Caribe
Ainda de acordo com o conteúdo, os bombardeios dos EUA na Venezuela e a captura de Nicolás Maduro também podem impactar a influência chinesa na América Latina e no Caribe, onde Xi Jinping prometeu novas linhas de crédito e investimentos em infraestrutura.
Durante o contato com Lula, o líder chinês afirmou:
“A China está disposta a continuar sendo uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe”.
Parceria estratégica mira agricultura, infraestrutura e transição energética
Por fim, a Xinhua destacou que uma parceria estratégica para 2024 pretende alinhar a Iniciativa Cinturão e Rota aos planos brasileiros voltados para agricultura, infraestrutura e transição energética.
Segundo Xi, esse movimento exemplifica solidariedade e cooperação entre países do Sul Global.
Ele acrescentou ainda que a China busca ajudar a construir uma comunidade China–América Latina com um futuro compartilhado.


